VerdeFam quer potenciar as suas forças para não deixar ninguém para trás em Cabo Verde, Francisco Tavares (c/áudio)

Cidade da Praia, 25 Mar (Inforpress) – O presidente da Associação Cabo-verdiana para a Protecção da Família afirmou, hoje, que a organização que vem trabalhando no domínio da saúde sexual e reprodutiva quer potenciar as suas forças para não deixar ninguém para trás em Cabo Verde.

Francisco Tavares, que falava na cerimónia de comemoração dos 24 anos de existência da organização, disse ainda que a VerdeFam nasceu para servir com zelo e humanismo, crescer com os adolescentes e jovens, atendendo às suas necessidades e respondendo com eficácia e eficiência aos seus problemas.

“Quem quer ter sucesso não ignora o contexto em que vive, mas sobretudo, conhece-o, corrige as suas fraquezas, potencia as suas forças, aproveita as oportunidades e minimiza os riscos. Quem quer ter sucesso escolhe os seus parceiros e esta é a nossa grande força, a força da parceria”, realçou.

A parceria que gere força para que a VerdeFam funcione, segundo apontou aquele responsável, vem da Federação Internacional do Planeamento Familiar (IPPF) a que pertence, do Governo, das Nações Unidas e vários outros que apoiam os projectos a serem desenvolvidos para o bem da saúde reprodutiva.

Por tudo isso, Francisco Tavares, considerou que o percurso da VerdeFam é de “sucesso” no domínio da saúde sexual e reprodutiva, pois, desde a sua aparição o índice de fecundidade da mulher que era de sete filhos por mulher na década de 80, passou para 4,1 em 1988, 2,9 em 2005 e 2,5 em 2018.

“Isso significa que as mulheres cabo-verdianas têm cada vez mais autonomia, mais poder para decidir quantos filhos ter, quando tê-los e com que espaçamento. Este é um direito que as mulheres cabo-verdianas ganharam graças ao nosso percurso”, enfatizou.

Ainda o presidente da VerdeFam, se em 1998 cerca de 53 (16%) em cada 100 mulheres em união usavam algum método contraceptivo, em 2005 o número passou para 61 (44%) em cada 100 e 56 em cada 100 em 2018.

No que tange aos adolescentes, aquele responsável avançou números que mostram que em 1998 15% dos adolescentes já tinha iniciado a sua vida reprodutiva, 19% em 2005 e 12% em 2018, sendo que neste ano seis em cada 100 meninas já tinham filhos aos 15 anos.

Estes dados, sublinhou, mostram que a organização tem novos desafios a enfrentar e cujo alvo são as meninas, pois, as que engravidaram confirmam ter feito sexo sem qualquer protecção, o que também implica exposição a riscos de doenças como HIV/Sida e outros.

“Temos um sucesso na área de saúde reprodutiva, mas temos imensos desafios pela frente. Desafios de uma sociedade jovem que está em plena transição demográfica”, assegurou.

Referiu ainda que o primeiro inquérito demográfico elaborado pelo INE foi feito em 1988 por iniciativa da VerdeFam.

Apesar de sucesso, Francisco Tavares admitiu que a organização enfrenta desafios enormes e que tem a ver com a sustentabilidade da mesma, pois, ainda vivem de projectos, pelo que tem de trabalhar para estabilidade e para que os trabalhadores possam ter maior segurança e visibilidade.

Para o ministro da Saúde e Segurança Social, que se regozijou com o trabalho que a VerdeFam vem efectuando há 24 anos, o sistema de saúde faz-se com o serviço nacional de saúde, com os privados e com as organizações da sociedade civil que actuam no sector num processo que se pretende cada vez mais descentralizado, territorializado, com redução das assimetrias regionais, próximo das populações e assente nos princípios fundamentais da constituição.

“Comemorar o 24º aniversário da VerdeFam é comemorar também a extensão da cobertura universal de saúde. Não será mera coincidência, uma questão do acaso, que a OMS/AFR tenha escolhido Cabo Verde para sediar o segundo Fórum Africano de Saúde. Um grande evento que terá a participação de 47 países da nossa região, mas também de outros continentes, nomeadamente Europa, Ásia e América”, disse.

Segundo Arlindo do Rosário, as questões sobre a sexualidade, fecundidade, as doenças transmissíveis, sobretudo, as sexualmente transmissíveis merecem que continuem sendo discutidas, aprofundadas e que sejam definidos os instrumentos estratégicos e operacionais para a implementação das acções.

Cabo Verde, conforme disse, aprovou há um ano o seu novo plano estratégico para a saúde sexual e reprodutiva, plano que contou na sua elaboração com alta participação de vários parceiros entre eles, ONG, associações comunitárias, sector privado, departamentos governamentais e representantes do poder local.

Neste âmbito, reiterou o compromisso do Governo para responder às necessidades de planeamento familiar como um objectivo em si mesmo e como um direito humano fundamental.

“Responder às necessidades e programas em planeamento familiar e saúde sexual e reprodutiva e igualdade de género numa perspectiva de direitos humanos requer a aplicação dos princípios chave de empoderamento, participação e não discriminação. A dinâmica populacional e o planeamento familiar voluntário são aspectos essenciais do desenvolvimento sustentável”, frisou.

Arlindo do Rosário, sublinhou ainda que o Governo deve prosseguir os esforços no sentido de aumentar a escolaridade dos meninos e meninas, diminuir a taxa de gravidez na adolescência, do aumento efectivo da participação das mulheres na vida social e política, e sobretudo, lutar contra a violência em relação às mulheres, questões que nos interpelam, a fim de atingir as metas dos ODS.

Estas e outras questões, assegurou, colocam ao país “importantes desafios”, colocando o foco nos problemas da família cabo-verdiana, no seu papel na educação de novas gerações, de melhorar e alargar a capacidade de resposta dos serviços para jovens e adolescentes e trabalhar sobre as melhores estratégias visando um maior envolvimento dos rapazes e os homens nas questões de saúde sexual e reprodutiva.

A Associação Cabo-verdiana para a Protecção da Família (VerdeFam) é uma Organização Não Governamental (ONG) de âmbito nacional, exercendo às suas acções para a protecção da família, principalmente na vertente dos Direitos e da Saúde Sexual e Reprodutiva.

Com 24 anos de existência, a VerdeFam está filiada na Plataforma das ONG Cabo-verdianas e na Federação Internacional para o Planeamento Familiar (IPPF), trabalha para a promoção do bem-estar da família, recorrendo a acções como sensibilização e difusão de informações e mecanismos que engendram a mudança de comportamento, mas recorrendo também a prestação de serviços no domínio da saúde sexual e reprodutiva de qualidade.

A data que é assinala sob o lema “VerdeFam um percurso de 24 anos na promoção da família e da saúde sexual reprodutiva” cumpre um vasto programa que culminou hoje com a realização do workshop sobre os Direitos e a Saúde Sexual e Reprodutiva.

PC/ZS

Inforpress/Fim

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