Uma acção coordenada à escala global é a melhor forma de controlar a praga da lagarta-do-cartucho do milho – FAO

Cidade da Praia, 24 Dez (Inforpress) – O director-adjunto da Divisão de Produção Vegetal e Protecção de Plantas da FAO, Rémi Nono Womdim, defendeu hoje que uma acção coordenada à escala global é a melhor forma de controlar a praga da lagarta-do-cartucho do milho.

O também anterior representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) em Cabo Verde acrescentou ainda, em uma nota de opinião enviada à Inforpress, que uma nova iniciativa da FAO para mobilizar 500 milhões de dólares indica o caminho a seguir.

Segundo Rémi Nono Womdim, para lidar com pragas transfronteiriças é, “na melhor das hipóteses, difícil” e os padrões, as práticas, os níveis de capacidade e o engajamento variam de país para país e de região para região; as respostas são frequentemente pontuais e ineficazes.

A situação torna-se, segundo este responsável, ainda “mais complexa”, quando as pragas em causa, como a lagarta-do-cartucho do milho, sobrevoam as fronteiras, ameaçando a segurança alimentar e os meios de existência de milhões de pequenos agricultores e causam “graves danos” ambientais e económicos.

Na mesma nota, Rémi Nono Womdim acrescenta que, através do lançamento da “Acção Global para o controlo da lagarta-do-cartucho do milho”, uma iniciativa pioneira que visa mobilizar 500 milhões de dólares americanos para o período 2020-2022, a FAO toma “medidas radicais, directas e coordenadas” para combater a lagarta-do-cartucho do milho a nível global.

A nova Acção Global da FAO para o controlo da lagarta-do-cartucho do milho permitirá, segundo o interlocutor, “intensificar massivamente” os projectos e actividades da FAO destinados a centenas de milhões de agricultores afectados.

A Acção Global, conforme explicou, persegue três “objectivos principais”, o de estabelecer uma coordenação global e uma colaboração regional em matéria de monitoramento, alerta precoce e gestão integrada da lagarta-do-cartucho do milho, o de reduzir as perdas de colheitas associadas e o de reduzir o risco de propagação adicional.

Na mesma senda, Rémi Nono Womdim explicou que a Acção Global tem como alvo as três regiões que sofreram uma invasão da lagarta-do-cartucho do milho nos últimos anos – África, Próximo Oriente e Ásia – e se alinhará com a nova Iniciativa “Mão a Mão” da FAO, baseada em dados que visam apoiar o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, associando os países mais desenvolvidos com aqueles com as taxas de pobreza e fome mais altas.

No quadro da Acção Global, será, de acordo com o mesmo subscritor, “primordial” coordenar os esforços para difundir o conhecimento e a informação junto dos pequenos agricultores afectados pela lagarta-do-cartucho do milho, especialmente através da constituição e ampliação de grupos de trabalho nacionais especializados.

Estes grupos, explica o documento, reforçarão e irão mais além das actuais iniciativas da FAO, como o programa de Campo Escola do Produtor, chegando no seio das comunidades mais isoladas.

Rémi Nono Womdim afirmou ainda que a Acção Global também promoverá o controlo biológico de pragas e outras práticas de campo inovadoras, bem como tecnologias, como sejam a aplicação móvel para o monitoramento e alerta precoce da lagarta-do-cartucho do milho (FAMEWS,) que usa a inteligência artificial para ajudar os agricultores, através de smartphones, a detectar os danos e a tomar as acções de resposta apropriadas.

“Não existe um remédio único. O combate à lagarta-do-cartucho do milho exigirá soluções sob medida baseadas na ciência e que levem em conta o contexto específico de cada área infestada”, escreveu o alto responsável, para quem as pesquisas devem continuar para se determinar as medidas mais eficazes e em que regiões têm melhores resultados.

Para o Director-adjunto da Divisão de Produção Vegetal e Protecção de Plantas da FAO é “particularmente interessante” notar que o lançamento da Acção Global, a 4 de Dezembro último, tenha ocorrido apenas dois dias após a abertura oficial do Ano Internacional da Saúde Vegetal 2020 das Nações Unidas (IYPH), sob a égide da FAO.

“O IYPH enfatiza a importância da saúde das plantas para a saúde planetária e humana e insta a acções contra a disseminação de pragas e doenças, principalmente devido às alterações climáticas, às trocas comerciais e outros factores”, explicou.

Para este anterior representante da FAO em Cabo Verde, o sucesso da Acção Global, do IYPH 2020 e de outras iniciativas fitossanitárias, será determinado pela capacidade de uma ampla gama de partes interessadas de trabalhar juntas em busca de um objectivo comum.

GSF/JMV

Inforpress/Fim

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