UCID questiona Governo sobre o crescimento económico que “não tem levado a felicidade aos cabo-verdianos”

Cidade da Praia, 31 Mai (Inforpress) – A UCID (oposição) questionou hoje o Governo pelo facto de o crescimento económico dos últimos três anos “não terem levado a felicidade aos cabo-verdianos”, mas os deputados da bancada que suporta o Governo no Parlamento disseram o contrário.

Segundo a deputada Doriana Pires, eleita nas listas da União Cabo-verdiana Independente e Democrática, pelo círculo de S. Vicente, “o crescimento económico médio anda à volta dos 4,5 por cento (%) do PIB, tendo em conta os números dos anos anteriores da governação do PAICV) ” deviam servir para um regozijo, caso houvesse uma “relação directa” com o desenvolvimento ambicionado pelos cabo-verdianos.

Para a UCID, a ausência da relação directa entre o crescimento e o desenvolvimento que o “povo almeja” leva os democratas-cristãos a questionarem sobre o “verdadeiro significado do crescimento económico verificado nos últimos três anos”, porque “não foi capaz de gerar empregos e melhorar a vida dos cidadãos”.

A porta-voz dos democratas-cristãos fez essas considerações durante a declaração política do seu partido, em que a questão do crescimento económico de Cabo Verde nos últimos três anos de governação do Movimento para a Democracia voltou a estar no centro das atenções dos deputados, isto, depois de na segunda-feira ter havido um debate com o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva sobre o mesmo tema.

Na perspectiva da UCID, a falta de chuva nos últimos dois anos “não pode servir de desculpas” para que o crescimento não tivesse o impacto necessário na vida das pessoas.

“Se quisermos contribuir todos de forma decisiva para o desenvolvimento do país, é tempo de nos sentarmos à mesma mesa e com a mesma camisola de Cabo Verde, independentemente do partido a que pertencermos, e encontrarmos o melhor para o povo dessas ilhas”, apelou a UCID, acrescentando que a sociedade civil está à espera dos políticos para a apresentação de soluções.

Reagindo à declaração política da UCID, o deputado do MpD Armindo Luz contrariou o discurso dos democratas-cristãos, afirmando que nos últimos anos se registou o “maior investimento” no país.

Corroborando as declarações do seu colega de bancada, Emanuel Barbosa sublinhou que o país tem um “bom Governo que está a fazer um bom trabalho”.

Relativamente ao apelo da UCID no sentido de os políticos vestirem a mesma camisola de Cabo Verde, em prol dos interesses do povo, Barbosa deixou transparecer que estaria de acordo com a proposta dos democratas-cristãos, mas para isso, prossegue, a “UCID teria que despir a camisola do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde).

“O que estamos a ver da parte da UCID é a reprodução do discurso do PAICV”, enfatizou Emanuel Barbosa, cuja intervenção suscitou uma reacção do parlamentar João Santos Luís, perguntando se este era uma pessoa preparada para ser deputado.

“Temos respeitado todos os sujeitos parlamentares e exigimos o mesmo dos outros colegas”, sugeriu o deputado da UCID, que classificou de “blasfémia” as afirmações do deputado do MpD.

O líder da UCID, António Monteiro, lembrou que no passado recente, quando o MpD era oposição, o seu partido foi colado a esta força política e, agora, é acusado de estar “colado ao PAICV”, mas que isto não o incomoda.

Por sua vez, para demonstrar que o crescimento da economia está a ter efeitos nas vidas dos cabo-verdianos, o ministro dos Assuntos Parlamentares apontou um conjunto de medidas adoptadas pelo Governo, nomeadamente o aumento da pensão social de cinco para seis mil escudos, beneficiando, segundo ele, “23 mil cabo-verdianos”.

“É este crescimento económico que permitiu ao Governo 200 mil contos para fazermos um programa de vacinação do HPV de prevenção do cancro do cólon do útero nas raparigas”, explicou Fernando Elísio Freire, adiantando ainda que hoje os cabo-verdianos estão a ter uma remuneração media “muito superior” a que tinham há três anos.

Entretanto, a Mesa da Assembleia anunciou esta quinta a apresentação de uma declaração política por parte do grupo parlamentar do MpD, mas este acabou por não o fazer.

LC/FP

Inforpress/Fim

 

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