Temática da água foi sempre colocada pelos sucessivos governos como “grande prioridade” – primeiro-ministro

Cidade da Praia, 20 Mar (Inforpress) – O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, reconheceu hoje que a temática da água foi sempre colocada pelos sucessivos governos como uma “grande prioridade” e que os resultados são “encorajadores”.

“Hoje estamos perante o agravamento da situação provocado pelas mudanças climáticas”, afirmou o chefe do Governo, na abertura do Primeiro Fórum Internacional do WASAG sobre a escassez de Água na Agricultura que se realiza de 19 a 22 na Cidade da Praia.

Segundo o primeiro-ministro, as mudanças climáticas constituem um fenómeno global, mas os seus efeitos são “muito mais fortes” nos pequenos estados insulares, como é o caso de Cabo Verde.

Referindo-se às consequências desta situação, indicou o aumento da aridez e da consequente escassez da água, assim como a ocorrência de fenómenos meteorológicos e climáticos “extremos como furações, inundações e secas cada vez mais frequentes”.

A título de exemplo, apontou a seca registada no país em 2014, a passagem do Furacão Fred, em 2015, a primeira de que há registo em Cabo Verde, tendo ainda   assinalado chuvas torrenciais registadas em 2016 na região norte do país, as quais provocaram “grandes inundações e prejuízos”.

“Estamos a vivenciar um período de seca severa”, lamento o primeiro-ministro que lembrou que em 2014 Cabo Verde registou uma erupção vulcânica na ilha do Fogo.

Para Ulisses Correia e Silva, embora a contribuição do arquipélago para o aquecimento global “seja ínfima”, Cabo Verde paga uma “factura elevada”.

Disse, entretanto, que o país encara a situação com firmeza e, por isso, está a fazer de tudo para que uma “verdadeira estratégia de resiliência seja efectivamente materializada”.

“É o nosso compromisso com as gerações actuais e futuras”, acentuou o chefe do Governo, reiterando que o principal desafio do país no quadro do desenvolvimento sustentável é “aumentar a resiliência” e a sua capacidade de adaptação para fazer face às “elevadas vulnerabilidades ambientais e a exposição a choques externos de natureza económica, financeira e ambiental”.

Sobre o referido fórum, Ulisses Correia e Silva mostrou-se convicto de que a sua realização na capital cabo-verdiana representa uma “amostra acabada” de um país afectado pela escassez da água na agricultura, e onde há uma “convicção política e a firme vontade” de se criar as condições para lidar com a situação de “forma triunfante”.

Manifestou a “total disponibilidade” de Cabo Verde continuar os próximos fóruns de dois em dois anos.

O primeiro Fórum Internacional do WASAG sobre a Escassez de Água na Agricultura é organizado pelo Governo de Cabo Verde, em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Ministério das Politicas Agricolas, Alimentares e Florestais da Itália (MIPAAFT) e o Serviço Federal de Agricultura (FOAG).

Conta com a participação de cerca de 200 tomadores de decisão, profissionais, cientistas e especialistas de parceiros e partes interessadas do WASAG, organizações regionais, sectores públicos e privados de diferentes regiões do mundo com interesse na escassez de água na agricultura.

Durante o evento, vão ser discutidos temas como água e migração, água e nutrição, agricultura salina, uso sustentável da água ma agricultura, preparação para secas e mecanismos financeiros para o manuseio sustentável dos recursos hídricos.

LC/FP

Inforpress/Fim

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