Supremo Tribunal nigeriano prolonga por 45 dias detenção de opositor

Abuja, 08 Ago 2019 (Inforpress) – O Supremo Tribunal Federal da Nigéria prolongou hoje por 45 dias a detenção do editor do Sahara Reporters e ex-candidato presidencial, Omoyele Sowore, detido no sábado, noticiou a imprensa local.

Omoyele Sowore, editor do Sahara Reporters, um jornal electrónico de oposição ao regime do Presidente, Muhammadu Buhari, e um dos candidatos derrotados nas eleições presidenciais de Fevereiro, foi detido, no sábado, por elementos dos Serviços de Segurança do Estado.

A decisão do tribunal surge depois de um pedido para que o também membro do movimento de contestação RevolutionNow ficasse preso durante 90 dias para que os Serviços de Segurança do Estado o pudessem investigar.

O pedido da agência de segurança nigeriana foi apresentado ao abrigo de uma lei anti-terrorismo.

De acordo com o diário nigeriano The Punch, o juiz Taiwo Taiwo decidiu ainda que a ordem de detenção poderá ser renovada após o fim do primeiro período de 45 dias, que termina a 21 de Setembro.

A defesa de Sowore não foi ouvida e o juiz explicou que aceitava “apenas a extensão” por 45 dias para que a investigação pudesse ser concluída.

Omoyele Sowore, um destacado crítico do Presidente Buhari, foi detido depois de ter anunciado a realização no domingo de manifestações sob a palavra de ordem “RevolutionNow”.

Os serviços de segurança acusaram o opositor nigeriano de “ultrapassar uma linha vermelha” e ameaçar a ordem pública.

“Não podemos autorizar que qualquer um ou um grupo qualquer fomente o caos e ateie a fogueira da revolução”, afirmou no domingo o porta-voz do DDS (serviços de segurança do país), Peter Afunaya.

Sowore, que foi apenas o 10.º candidato presidencial mais votado em Fevereiro, tem conseguido fazer passar a sua voz crítica ao regime, denunciando nomeadamente a corrupção no país, numa intervenção que tem captado a atenção dos nigerianos.
Várias figuras nigerianas relevantes, entre as quais o Nobel da Literatura Wole Soyinka, condenaram publicamente a sua detenção.

Lusa/Fim

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