Sudão: Grupos de rebeldes criticam acordo de partilha do poder

Cartum, 06 jul 2019 (Lusa) – Grupos de rebeldes sudaneses criticaram hoje o acordo de partilha do poder entre os militares e o movimento pró-democracia do país, cujo objectivo é pôr termo ao impasse político que dura há semanas.

Os líderes das manifestações na capital do Sudão e os militares do Governo tornaram público na sexta-feira um acordo para formar um Governo conjunto, noticia a agência norte-americana Associated Press (AP).

Uma facção do Movimento de Libertação do Sudão, liderado por Minni Minnawi, afirmou na sexta-feira que um acordo de paz deveria ser alcançado com os grupos rebeldes, antes de se iniciar a transição prevista naquele acordo.

Uma outra facção deste movimento, liderada por Abdel Wahid al-Nur, criticou o acordo classificando-o de “traição à revolução”.
Minnawi juntou-se a uma coligação política composta por manifestantes, enquanto al-Nur recusou-se a participar neste movimento.

Na sexta-feira, a junta militar no Sudão e os líderes do movimento de contestação chegaram a acordo sobre o conselho que vai liderar a transição política, aceitando um poder partilhado entre militares e civis, após meses de tensão.

As duas partes acordaram estabelecer “um conselho soberano rotativo entre militares e civis, por um período de três anos ou um pouco mais”, anunciou, em conferência de imprensa, o mediador da União Africana (UA), Mohamed Hassan Lebatt.

A oposição sudanesa aceitou retomar as negociações com os militares na quarta-feira, em Cartum, um mês após a ruptura causada pela remoção violenta de um acampamento de manifestantes na capital, que provocou mais de uma centena de mortos.

Graças à mediação da Etiópia e da União Africana (UA), as duas partes chegaram finalmente a acordo sobre o seu principal ponto de divergência: a liderança do “Conselho Soberano”, o órgão que deve supervisionar o período de transição política.

Não são conhecidos ainda os detalhes do acordo, mas segundo a proposta dos mediadores o “Conselho Soberano” deverá inicialmente ser presidido por um militar durante 18 meses, antes de um civil assumir o comando até ao final da transição.

Os mediadores da Etiópia e da UA tinham-se reunido, na segunda-feira, separadamente, com a junta militar e com a oposição, numa tentativa de aproximar as posições das partes no sentido da formação de um Governo transitório que assuma o poder deixado pela queda do antigo Presidente sudanês Omar al-Bashir, destituído no passado dia 11 de Abril.

As negociações entre a junta militar e as Forças da Liberdade e Mudança tinham falhado no início de Junho, depois da remoção violenta do acampamento de protesto em frente ao quartel-general das Forças Armadas em Cartum e da acção de repressão que se seguiu nas ruas da capital sudanesa, em que morreram mais de uma centena de pessoas, de acordo com a oposição.

Lusa/Fim

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