São Vicente: “Ter o contrato suspenso é melhor do que ficar sem emprego” – presidente CCB

Mindelo, 28 Abr (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio de Barlavento (CCB), Belarmino Lucas, acredita que os trabalhadores afectados pelos condicionamentos do estado de emergência, com certeza estão “melhor” com os contratos de trabalhos suspensos do que sem emprego.

Belarmino Lucas foi instado pela Inforpress a comentar os números divulgados pela Direcção-geral do Trabalho, que registou, até 17 de Abril, 13.332 pedidos de suspensão de contratos de trabalho, referentes a um total de 661 empresas.

Conforme a mesma fonte, já era de se esperar a “grande adesão” das empresas a esse regime de suspensão de contratos de trabalho, uma vez que a maior parte delas estão sem qualquer actividade devido à situação do estado de emergência, inclusive com trabalhadores a não conseguirem deslocar-se aos locais de trabalho.

“Por outro lado, com a paragem geral da economia não há negócio mesmo, não há qualquer actividade em todos os sectores”, disse o presidente da CCB, para quem com esta medida as empresas podem ficar um pouco aliviadas com os custos fixos da mão-de-obra, já que estas pagam 35 por cento (%)  dos salários e o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) paga outros 35, num total de 70% recebidos pelos funcionários.

Questionado se não se mostra uma situação preocupante para trabalhadores, Belarmino Lucas considerou ser “dos males o menor”, já que a outra alternativa seria rescisão de contratos com indemnizações de 20 dias por cada ano. Então, acrescentou, é “melhor ficar com os 70%, do que ficar sem trabalho e receber uma indemnização que não permite refazer a vida”.

“É uma situação excepcional que exige sacrifícios a todos e uma forma que se encontrou para preservar uma parte dos rendimentos dos trabalhadores”, disse o gestor, para quem a retoma será “lenta”, mas vai ter que acontecer porque “Cabo Verde e o mundo não podem ficar parados”.

Mas, segundo a mesma fonte, há esperança de que no País as coisas se mantenham controladas em relação ao novo coronavírus, embora a “situação seja preocupante”, na cidade da Praia com a transmissão comunitária, para a retoma da economia que vai acontecer, “quer demore meses ou anos”.

Belarmino Lucas assegura que a CCB tem feito a advocacia entre as preocupações do empresariado junto das autoridades, que, a seu ver, estão a fazer um esforço para aplicar as medidas para salvar as empresas, embora com uma “resposta um pouco lenta”.

“Todos estão fazendo o que podem. Não há receitas milagrosas para resolver os problemas, até porque é uma situação nova a que todos tiveram que se adaptar e com um confinamento social que atingiu todas as esferas da economia”, defendeu o líder da agremiação, para quem, embora algumas ilhas estejam neste momento já fora do estado de emergência, as coisas só podem ser retomadas quando o país inteiro estiver a funcionar.

Isto porque, ajuntou, a maior parte das ilhas agora sem estado de emergência tem “menor peso” na economia nacional e estão “muito dependentes” de ilhas como Santiago e São Vicente ainda fechadas.

Quanto ao número de contratos suspensos, segundo o Ministério do Trabalho, os dados mostram que a maioria é do Sal, com 5.123, e muitas das empresas que recorreram a este regime excepcional e temporário são do sector do turismo.

De seguida, com maiores registos, estão ainda as ilhas de Santiago, com 2.759, de São Vicente, 2.666 e da Boa Vista, com 2.289.

Santo Antão registou 449 trabalhadores com contratos suspensos, seguido da ilha do Fogo com 31, Maio com dez e São Nicolau com cinco.

A mesma fonte realçou que até à data da última actualização dos dados, Brava era a única ilha do País sem registo de empresas com pedidos de suspensão.

LN/DR

Inforpress/Fim

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