São Vicente: Sambódromo equacionado com evolução do Carnaval cujo orçamento “ultrapassa 100 milhões de escudos”

Mindelo, 17 Jan (Inforpress) – A LIGOG-SV está a equacionar a possibilidade de construir um sambódromo para acompanhar a evolução do Carnaval do Mindelo, actualmente orçado em “mais de 100 milhões de escudos”.

Segundo o presidente da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval – São Vicente (LIGOC-SV), Marco Bento, as sete ruas da morada já não acompanham a evolução do Carnaval, que tem vindo a ganhar maior dimensão ano após ano, daí a importância de um sambódromo para a festa.

“A forma de sustentar o Carnaval de São Vicente seria a migração para o sambódromo, onde toda a gente pagasse e o dinheiro das receitas, em conjugação com os patrocínios e o dinheiro público, talvez pudesse dar para mais”, considerou Marco Bento em entrevista à Inforpress.

Na óptica de Marco Bento, para projetar ainda mais o evento é a hora de pensar num outro modelo de financiamento do Carnaval, com mais pessoas a assistir e com a criação de melhores condições.

“A LIGOC-SV acha que tem que se criar um outro modelo, tem que se envolver outras entidades que não estão presentes neste momento, porque parcerias que temos são simplesmente institucionais”, frisou,  lembrando o apoio da Câmara Municipal de São Vicente, “com 90% do financiamento”, e que disponibiliza a ilha para o Carnaval.

Apesar do apoio do Governo, através do Ministério da Cultura, ainda é considerado pela liga insuficiente, tendo em conta as expectativas criadas à volta deste evento.

O aumento do número de hotéis na ilha é o ponto de viragem para a festa do rei Momo na ilha e maior promoção do evento.

“Os hotéis ainda estão em construção e isso é uma das razões que a LIGOC-SV ainda não faz marketing em escala do Carnaval. Temos esse cuidado porque também temos um produto que ainda tem que ser muito bem trabalhado e uma promoção internacional tem que ser devagar”, considerou o presidente.

A liga garante estar a trabalhar em mecanismos desta promoção, baseada em etapas, uma das quais, descrita por Marco Bento, é o recrutamento de novos parceiros, como o Ministério do Turismo, a Câmara do Turismo e as agências, para “dosear” a propagação do Carnaval.

“Como sabem, ainda os hotéis não estão prontos, temos um défice de camas em São Vicente. O que foi aprovado em termo do Plano Operacional do Turismo é que havia um valor que devia ir para a promoção do carnaval enquanto produto turístico”, lembra o interlocutor.

Com um sambódromo e esta possível parceria, Marco Bento considera que poderá haver mais fundo destinado ao Carnaval e que poderia favorecer a criação da segunda liga, porque, como disse, São Vicente tem capacidade para ter uma segunda divisão do Carnaval, em termos organizacionais.

Explicou que o Carnaval actual depende do subsídio público e que precisa de uma forma de sustentabilidade diferente.

“O que temos hoje em dia eu acho que é um modelo que já se esgotou, temos que encontrar patrocínios, mais pessoas, instituições ou uma forma de sustentar”, sublinhou.

Os quatro grupos oficias e o Samba Tropical recebem a quantia de três mil contos cada dos cofres públicos para a realização do Carnaval, sendo dois mil contos disponibilizados pela Câmara Municipal de São Vicente, e mais mil subsidiado pelo Governo, através do Ministério da Cultura.

A abertura oficial do Carnaval está marcada para sexta-feira, 19, com apresentação dos grupos oficiais e o sorteio da ordem de saída.

SN/AA

Inforpress/Fim

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