São Vicente: Jovens criam empresa de reciclagem de plástico para ajudar na limpeza de praias (c/áudio)

Mindelo, 18 Dez (Inforpress) – A empresa Oiá Plast, recém-criada pelos jovens Isabel Bourbon e Patrick Barbosa, concebe neste momento vários produtos utilitários derivados de plástico recolhido em praias de São Vicente e que já estão a ter uma “boa aceitação”.

A ideia de meter mãos à obra surgiu, segundo Isabel Bourbon avançou em entrevista à Inforpress, quando viram nas notícias a quantidade de lixos plásticos que a associação ambiental Biosfera 1 tirou da praia dos Achados, em Santa Luzia, derivado das correntezas e decidiram fazer alguma coisa para ajudar a limpar, neste caso, as praias de São Vicente.

Deste modo, em Maio último, através de muita pesquisa, e tendo em casa um forno, deram início aos trabalhos, que começaram efectivamente quando encomendaram duas máquinas na Escola de Formação Profissional Padre Filipe, a conhecida oficina do Ti Nene, que os permitiu ir fazendo algumas experimentações.

“A princípio começamos com embalagens de detergentes de limpeza, cosméticos e plásticos de encomendas e agora trabalhamos com outros tipos como tampinhas de garrafas, sacos de supermercados e outros”, explicou a mesma fonte.

Tipos de plástico, entre os quais, HDPE, LDPE e PP que depois se transformam em “coisas queridas” como bases de copos, vasos para plantas, porta-canetas, bandejas e outros produtos identitários de Cabo Verde como réplicas das casas da ilha do Fogo, pilões, a que dão o nome de “Cutchi” e ainda porta-chaves de tartaruga. Estes últimos produtos, que, conforme Isabel Bourbon, são os que mais têm saída.

A Oiá Plast foi dada a conhecer ao público na última Feira de Artesanato e Design –URDI realizado no Mindelo de 27 Novembro a 02 de Dezembro, onde, acreditam, tiveram uma “boa aceitação”.

“Foi bastante bem aceite, a princípio as pessoas iam lá ao nosso stand, mas não se apercebiam o que era, mas, depois que entendiam que era plástico reciclado ficavam encantadas”, disse a jovem, adiantando interesse de lojas de artesanato no Mindelo, mas também de pessoal das outras ilhas.

Também já começam a “exportar” produtos, através de encomendas de emigrantes, para países como a Espanha.

Entretanto, com a empresa a dar os primeiros passos, Isabel, como designer de produto e Patrick como marceneiro/serralheiro, ainda só conseguem dedicar-se em part-time a este projecto, mas ambicionam nos próximos tempos entregarem-se a cem por cento à empresa e começar a fazer, a partir do plástico reciclado, mobiliários como candeeiros, mesas, cadeiras e outros.

E para fornecimento do material, além da recolha nas praias de São Vicente, em que acreditam ter reciclado entre 40 a 50 quilos, mantém parcerias com empresas como a Frescomar, a Water Solution, em Santo Antão, e Cavibel.

“Mas, a nossa ideia é criar uma rede com empresas maiores, de São Vicente e das outras ilhas, e evitar que o lixo plástico vá para as lixeiras e assim reciclar mais e mais plásticos”, sublinhou Isabel Bourbon, de nacionalidade portuguesa e que vive em Cabo Verde há dois anos.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, têm como projecto futuro criar também uma rede com escolas e colocar pontos de recolha nestes estabelecimentos para sensibilizar as crianças.

“Normalmente, o lixo que recolhemos nas praias não é o consumido em Cabo Verde, porque os consumidos cá normalmente vão parar às lixeiras, então, se o conseguirmos reduzir o impacto no meio ambiente será bem visível”, reiterou a empresária.

Já começaram a colocar o projecto em prática, ajuntou, com um primeiro workshop realizado na Escola Portuguesa do Mindelo para sensibilizar os mais novos, que estão “mais propícios às mudanças”.

LN/ZS

Inforpress/Fim

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