São Vicente: Jovem construtor naval sonha perpetuar essa arte por outras gerações (c/vídeo)

Mindelo, 25 Out (Inforpress) – O jovem construtor naval da zona de Salamansa, Jerry Soares, almeja que essa arte “tão bonita e com futuro” possa conquistar outras gerações ainda mais da sua comunidade, formada na sua génese de pescadores.

Há cerca de 10 anos, que já é corriqueiro Jerry Soares levantar-se cedo, todos os dias, e tomar caminho da antiga central eléctrica da zona de Salamansa, actualmente denominada Oficina de Botes de Salamansa.

Pois, foi em 2013 que decidiu abraçar com força a profissão de carpinteiro naval, uma oportunidade que lhe apareceu após ter abandonado os estudos no 6º ano e ingressado como aprendiz numa oficina de carpintaria/marcenaria.

Entretanto, quis o destino que o pai, chefe de uma família de pescadores, perdesse o bote e todos os outros acessórios num acidente e Jerry ficou incumbido de ajudar o carpinteiro que iria fazer um barco novo para a família, por forma a tornar os custos do investimento menores.

“Gostei do trabalho e ele [o carpinteiro] também gostou do meu desempenho e me perguntou se queria aprender mais sobre a área de carpintaria naval, respondia-lhe que sim, e disse-me que iria mostrar-me todos os segredos do trabalho”, recordou.

Após dois anos, em 2015, Jerry começou a trabalhar por conta própria e neste momento já perdeu a conta de quantos botes, entre os quatro e os 8,5 metros, construídos para a sua comunidade, dentro da ilha de São Vicente, e muitos outros para as outras ilhas, faltando-lhe somente encomendas da Brava.

“É uma área que passei a gostar muito e hoje adoraria ter muito mais jovens neste quintal, porque aqui há um trabalho muito bonito e com futuro”, ressaltou a mesma fonte, receando pela continuidade do ofício devido ao interesse de muito pouca gente, ainda mais da actual camada mais jovem “muito complicada ”.

Mas, da sua parte, diz-se totalmente aberto para ensinar a quem for ver a continuidade deste trabalho e dessa geração, porque, afiançou, “se essa geração morrer, Cabo Verde também vai abaixo”.

Por isso, dá graças a Deus de ter neste momento dois aprendizes na sua oficina e ainda a experiência do carpinteiro António Évora, profissional com mais de 30 anos na área, a trabalhar consigo.

Como incentivo, Jerry Soares dá a certeza aos interessados de ser uma profissão rentável, que lhe permitiu hoje, com 33 anos, ter uma empresa em seu nome, assumir todos os seus encargos, inclusive com um filho menor, e até ajudar a sua comunidade, como de apoiar nos custos de transporte da equipa federada de Salamansa, da qual também é jogador, outra profissão que divide com a de carpinteiro naval.

Também , já granjeou confiança de “muitos clientes”, tantos de armadores privados, como de próprias instiuições do Governo, que já encomendaram na Oficina de Botes de Salamansa a fibragem de algumas embarcações.

Além do mais, confirma não ter nada mais belo do que ver no mar um bote nascido de pedaços de madeira e que depois deram origem à proa, popa, quilha, e toda a estrutura, que, normalmente, é ao gosto do cliente, mas, com “alguns segredos” do construtor.

 

LN/CP

Inforpress/Fim

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