São Vicente: Greve dos professores com adesão acima dos 95% – sindicato 

Mindelo, 22 Nov (Inforpress) – O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep) assegurou hoje, no Mindelo, que a adesão à greve da classe na ilha está acima dos 95 por cento (%) e que vão continuar a luta até serem ouvidos.

Numa ronda efectuada pela Inforpress a várias escolas básicas e secundárias de São Vicente, o ambiente vivido vai desde estabelecimentos com apenas dois ou três professores em greve, até escolas com dezenas de professores, empunhando cartazes e todos vestidos de negro.

Da parte do Sindep, Nelson Cardoso avançou que após a sua ronda às várias escolas, pôde constatar uma “boa resposta” à paralisação.

“Arriscamos à uma adesão acima dos 95 % na ilha de São Vicente. Há muitas escolas a 100 %, quase todas no ensino básico, e aqui no Liceu Augusto Pinto é um exemplo e estamos acima dos 95% de adesão”, sustentou a mesma fonte, referindo-se a professores que não aderiram à greve por motivos religiosos e outros devido aos “contratos precários”.

Agora, disse o sindicalista, espera-se que a classe seja ouvida, respeitada e valorizada e, caso isso não aconteça, a luta não vai parar.

“Há um descanso no mês de Dezembro, mas, logo em Janeiro começaremos com uma mega manifestação nos dias 12 e 19, esta é a proposta de luta. Os professores não vão parar até serem auscultados, esta é a determinação”, advogou.

Em Santo Antão, nos municípios do Paul e Ribeira Grande, a manifestação se verificou nas principais artérias destas cidades, que contou com a adesão de “mais de 90 % de docentes”, informou à imprensa a representante do Sindep.

Em declarações à imprensa, Osvaldina Assunção explicou que as razões da manifestação são várias, tendo em conta que os professores consideram que o Governo “desconsiderou” a classe docente, continuando com promessas que “não os satisfazem” e “não querendo afirmar um compromisso sério com os professores”.

“Isso revela uma certa insensibilidade em atender as principais reivindicações da classe, principalmente no que tange a um salário digno, subsídio pela não redução da carga horária, cumprimento do estatuto pessoal de carreira docente e publicação da lista dos aposentados”, sublinhou.

Em São Nicolau, o responsável do Sindep no município da Ribeira Brava, Carlos Andrade, mostrou-se satisfeito com o nível de adesão dos professores à greve nacional sublinhando que neste momento “ainda não tem todos os dados”, mas que na Escola Secundária Baltazar Lopes da Silva e na escola de EBO Luís Gominho a participação dos professores é “satisfatória” e nas outras escolas do município a adesão dos professores “é de 100 %”.

Na ilha do Sal, os professores “aderiram massivamente” à greve programada para hoje, tendo cada docente ajuntado à frente do respectivo liceu e pólo educativo, tanto nos Espargos como em Santa Maria, formando uma moldura em sinal de “descontentamento”, motivando a paralisação das aulas, em reivindicação dos seus direitos.

Em representação dos professores, Aissata Diarra, docente há 12 anos no Liceu Olavo Moniz, para quem os professores aderiram “em peso” à greve, disse ser um “sinal claro” de que a classe está “verdadeiramente unida”.

A greve dos professores arrancou hoje em todo território nacional e deverá continuar na quinta-feira, 23, após negociações infrutíferas dos sindicatos representativos da classe e o Governo.

HR(LN/SC/LS/WM)//AA

Inforpress/Fim

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