São Vicente: APESC reclama da falta de assinatura de contratos-programa para beneficiar a classe dos pescadores (c/áudio)

Mindelo, 20 Mar (Inforpress) – O presidente da Associação de Armadores de Pesca de Cabo Verde (APESC) reclamou hoje da falta de assinatura de contratos/programas com os sucessivos governos, que não têm permitido à classe tirar benefícios e nem realizar projectos.

João de Deus Lima Júnior apontou o dedo aos “sucessivos governos” na saída da assembleia ordinária realizada na tarde de hoje, no Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas (INDP), para apreciação das contas e apresentação do orçamento e plano de actividades de 2019.

“Apresentamos um plano de actividades e orçamento na realidade da nossa associação, porque desde 2015 que assumimos APESC e temos tido atenção em pôr rubricas no orçamento e depois não conseguimos assinar contratos com sucessivos governos de Cabo Verde”, disse este responsável, acrescentando, que por isso elaboraram um “orçamento real”,  que fará a associação andar com os “próprios pés”, através de cotas pagas pelos associados.

Entretanto, segundo a mesma fonte, deixam em aberto um orçamento rectificativo, se no caso assinarem contratos/programas com o executivo e outras instituições.

“Porque não podemos estar a presentar orçamentos todos os anos e depois não conseguir realizar mais de 50 por cento das propostas orçamentais”, lançou, avançando um orçamento para este ano à volta de um milhão de contos.

Mas, por outro lado, também ainda esperam, ajuntou, pelos benefícios para os armadores que poderão advir do acordo de pesca com a União Europeia.

“Estamos ainda à espera, porque o acordo ainda não foi assinado, sabemos que existe um draft e que circula dentro das instituições em Bruxelas, mas esperamos que quando assinado a APESC possa ter acesso e ver o que se pode colher das propostas que fizemos”.

Contudo, conforme João de Deus Lima, ainda guardam a “esperança” deste ser o ano em que vão usufruir de subvenções do Governo e assim contar com este auxílio para a rubrica, no actual orçamento, à volta de três mil contos para a recuperação e exploração do navio “Sinagoga” pertencente ao erário público, e que se encontra atracado no cais do Porto Grande.

A cooperativa vai explorar o navio, asseverou, para ver se começam a criar algum recurso financeiro e, por outro lado, tentam recuperar os 30 mil contos do Fundo de Pesca e que foi transferido para o extinto Novo Banco e que, segundo a mesma fonte, há informações de estar a ser recuperado junto da Caixa Económica de Cabo Verde.

Caso isto se concretize, di-lo João de Deus Lima, este montante poderá ser alocado ao fundo financeiro que a APESC pretende criar para “de uma vez por todas” resolver a questão de financiamento ao sector das pescas.

“Já estamos cansados e com dois mandatos entra Governo, sai Governo e não conseguimos assinar um contrato programa e não sabemos porquê”, lançou o responsável, que espera “mais amizade e disponibilidade” do actual executivo.

Outras das “mágoas”, que dizem guardar os armadores é o facto de não haver ajudas para a pesca tal como, há para agricultura, nos tempos de seca.

“Não há peixes no mar, mas não ouvimos ninguém a apresentar um programa que dê aos pescadores algum subsídio para ajudar a classe”, reclamou, para quem esta situação “precisa mudar”.

Durante a assembleia ordinária da APESC foi  também assinado um protocolo com o laboratório de análise clínicas Labojovem, que, segundo o presidente da associação, vai beneficiar os armadores e familiares e resolver o problema dos armadores em renovar os cartões de sanidade, que antes estava “totalmente concentrado” nas delegacias de saúde, que agora esperam “descongestionar”.

LN/CP

Inforpress/Fim

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