São Nicolau: Agricultores de Algodoeiro manifestam descontentamento com distribuição irregular de água

Tarrafal de São Nicolau, 24 Ago (Inforpress) – Agricultores da zona de Algodoeiro, no município do Tarrafal de São Nicolau, reivindicam a distribuição regular de água por parte do Serviço Autónomo de Água (SAA), já que a actual distribuição “não satisfaz”.

Algodoeiro é espaço verde situado num dos vales do município do Tarrafal, onde trabalham cerca de 20 agricultores em parcelas distribuídas por 2.500 hectares cada uma, muitas delas herança dos avós, e nas quais desenvolvem uma agricultura de regadio com base no sistema de irrigação gota-a-gota.

Em entrevista à Inforpress, o presidente de Agricultores Grupo Unidos para o Desenvolvimento do Algodoeiro (AGUPDA), Sidónio Silva disse que a distribuição é feita pelo SAA, mas que de há alguns anos a esta parte a mesma vem sendo feita de forma irregular, o que não satisfaz as suas expectativas, “importando apenas” com a cobrança das facturas de água.

Conforme explicou, desde que a nova directoria assumiu funções, este retirou o agente que dantes, para além de abrir a água, controlava as “torneiras que estavam abertas”, fazendo uma gestão do serviço de distribuição de água, garantindo assim que esta chegasse a todas as parcelas agrícolas.

Entretanto, desde que foi colocado um novo agente, este “simplesmente” abre a água, ficando muitas vezes a meio do reservatório, não se preocupando se este chega a todos os perímetros, importando “apenas com a cobrança das facturas” sublinhou.

Segundo a mesma fonte, a rede de distribuição irregular de água impede os agricultores de apostarem na cultura de hortaliças, sendo a única alternativa a plantação de cana-de-açúcar e fruteiras.

Conforme avançou, a água é distribuída duas vezes por semana, mas chega com “muita dificuldade” explicando que “se um agricultor tem duas parcelas agrícolas, poderá regar uma hoje, mas terá de esperar uma semana para regar a outra”.

O agricultor José Almeida adiantou que esta rede distribuição necessita de manutenção, pois, conforme explicou, antes havia duas saídas e agora conta com uma saída o que dificulta a distribuição de água a todos os perímetros.

Para driblar a falta de água, o agricultor está a construir, neste momento, com os próprios recursos, um reservatório de água na sua parcela agrícola com capacidade para 24 tonelada de água.

O mesmo disse que gostaria de ver esta situação resolvida com a construção de uma nova rede de distribuição de água, novos gestores e melhoramento da estrada de penetração que dá acesso a Algodoeiro, para ajudar no escoamento dos produtos.

Recorda que o furo foi feito na década de 80, por intermédio da Cooperação Francesa,  “exclusivamente” para servir Algodoeiro e os agricultores geriam-no sob a supervisão do então Ministério de Desenvolvimento Rural (MDR) e que na altura “havia água suficiente”.

Outra reclamação apontada pelo presidente da AGUPDA, Sidónio Silva, é relativamente aos contadores de água, a falta de assistência técnica por parte de Ministério de Agricultura e Ambiente (MAA) e a passagem de titulação dos terrenos para nome próprio.

O responsável disse que os agricultores têm reclamado junto do Serviço Autónomo de água (SAA) dos contadores, desde há muito tempo, segundo ele, já que “não são fiáveis”, e por esta razão têm recebido contas “exageradíssimas”.

Segundo contou, têm recebido contas de 200 toneladas de água/mês e que os agricultores já pediram a substituição dos mesmos ou pelo menos para se fazer um teste, mas que se sentem abandonados pelo SAA.

Outra reclamação é a falta de assistência técnica do MAA, pelo que, disse, gostava de ter “mais apoio técnico” e “ passagens frequentes” dos técnicos.

Entretanto, disse ter conhecimento de que vai haver mudanças na chefia da delegação do MAA no município de Tarrafal e, por isso, esperam que possa haver “maior relacionamento e atenção”, uma vez que, “Algodoeiro tem potencialidade agrícola”.

Em relação aos terrenos, o desejo desses agricultores é que o Governo, à semelhança de agricultores de Santo Antão, lhes conferisse a posse útil dos mesmos, que há mais de 40 anos foram propriedade de seus pais ou avós, e assim poderem recorrer a um empréstimo bancário e investir na actividade agrícola.

“Até certo ponto, sentimo-nos prejudicados”, concluiu Sidónio Silva.

DG/AA

Inforpress/Fim

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