São Miguel/24 Anos: PR aconselha município a cooperar e não competir com Santa Cruz e Tarrafal (c/áudio)

Calheta, São Miguel, 28 Set (Inforpress) – O Presidente da República aconselhou hoje a edilidade micaelense a buscar complementaridade, cooperação e parceria com os vizinhos Santa Cruz e Tarrafal, no lugar de uma concorrência em que todos “perdem e ninguém tem nada a ganhar”.

Jorge Carlos Fonseca, que discursava durante a sessão solene comemorativa dos 24 anos da criação desse município do interior de Santiago, não tem dúvida que se São Miguel quer se firmar no espaço “interior de Santiago” e, quiçá de Santiago, tem que se associar aos concelhos do Tarrafal e de Santa Cruz.

“São Miguel não precisa, pois, ser competitivo em relação aos concelhos do Tarrafal e de Santa Cruz devendo, antes pelo contrário, ser um parceiro confiável com quem se deve contar em momentos que exigem participação e entrega de todos os municípios desta região do interior da Ilha”, defendeu.

“Esta cooperação é fundamental, porquanto os problemas sociais e económicos extravasam os limites geográficos pelo que o mal-estar de qualquer um dos três concelhos do litoral tem repercussão nos outros dois”, reforçou, lembrando que pelo facto de terem “problemas comuns”, a resolução das mesmas exige cooperação, parceria e concórdia no traçado de medidas e de políticas.

Se tal acontecer, Jorge Carlos Fonseca garantiu que o impacto se fará sentir para além dos seus limites cartográficos.

Por isso, acrescentou que quer nos domínios tradicionais, pesca, agricultura, pecuária e artesanato, quer no domínio do “promissor” sector do turismo que São Miguel, associando-se aos concelhos do Tarrafal e de Santa Cruz, poderá “tirar vantagens das sinergias e melhor aproveitar a alavancagem intermunicipal para consolidar a sua estrutura económica”.

“Por esta razão, e não só, o município de São Miguel deve intensificar as trocas com Tarrafal e Santa Cruz devendo tomar a iniciativa de constituir um espaço único de desenvolvimento promovendo, em consequência, a emergência de um Gabinete Intermunicipal que concilie os programas dos três concelhos do litoral dando, deste modo, um passo na formação de um espaço económico único”, propôs o mais alto magistrado da Nação.

É que, segundo ele, um espaço económico único reduz, significativamente, o carácter periférico do concelho de São Miguel e incrementa o seu peso na arena Santiago tendo, este facto, como consequência, um expressivo aumento da capacidade de negociação do mesmo tanto junto do Governo Central quanto junto da Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde (ANMCV).

Outrossim, notou o chefe de Estado, um espaço económico único permitiria a elaboração de uma política conjunta de promoção do turismo que proporciona ao município de São Miguel uma oportunidade ímpar para beneficiar da atractividade turística da Baía do Tarrafal para vitalizar a economia local.

“É certo que a integração num espaço económico único que permita o aproveitamento das potencialidades dos concelhos de Tarrafal e de Santa Cruz como alavanca da economia micaelense supõe uma visão clara sobre a importância da valorização do potencial humano no processo de desenvolvimento. Na verdade, sem essa devida valorização não será possível beneficiar da alavanca intermunicipal”, defendeu.

Por tudo isso, concretizou que a “integração económica de São Miguel na economia do litoral da Região Santiago Norte é uma necessidade imperiosa porque é a condição que falta para que o Município dê o salto que o coloca na linha da frente na marcha pelo desenvolvimento”.

Ainda no seu discurso, o Presidente da República destacou a capacidade dos actores da sociedade civil de influenciar as agendas, atribuindo prioridades a determinados temas, tomando como exemplo a política de habitação, os apoios aos agricultores e os programas de inserção socioprofissional dos jovens.

FM/CP

Inforpress/Fim

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