Santo Antão: ICIEG pede “maior engajamento” das instituições na questão de igualdade do género na ilha

Porto Novo, 27 Mar (Inforpress) – A presidente do Instituto Cabo-verdiano de Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), Rosana Almeida, exortou hoje, no Porto Novo, a um “maior engajamento” das instituições de Santo Antão na promoção da igualdade do género na ilha.

A presidente do ICIEG, que falava na abertura da jornada de reflexão sobre a “Igualdade num mundo em mudança”, que se realizou em saudação ao Dia da Mulher Cabo-verdiana, manifestou o desejo de ver as instituições públicas e organizações não-governamentais sediadas na ilha “engajadas” na questão da igualdade do género.

Um dos factores que impedem a igualdade de género tanto em Santo Antão como em Cabo Verde, no geral, reaciona-se com “a questão do uso do tempo”, avançou Rosana Almeida, que se referiu a ONU-Mulheres, organização segundo a qual as mulheres dedicam mais do dobro do seu tempo no trabalho doméstico e no trabalho renumerado, do que os homens.

A responsável destacou ainda um estudo do Instituto Nacional das Estatísticas (INE) sobre o uso do tempo que mostra que, no país, “a dupla jornada também afecta, e muito, as oportunidades” das mulheres em relação aos homens.

“As mulheres declaram dedicar cerca de 63 horas semanais no trabalho não remunerado, enquanto os homens dedicam, em média, cerca de 38 horas por semana, o que representa 24 horas semanais a menos, comparativamente às mulheres”, explicou.

A  presidente do ICIEG  falou ainda da violência baseada no género, cujos dados disponíveis, em relação ao ano de 2018, indicam que em número de casos houve uma diminuição na justiça de menos de 24 por cento (%) e na polícia de menos de 38%.

Durante o ano transacto, houve sete mortos em Cabo Verde, como consequência da violência baseada no género.

Em matéria de participação política e tomada de decisão, as mulheres estão ainda “sub-representadas” em todas as instituições, segundo a responsável, defendendo a “implementação de medidas positivas, como a lei de paridade, que vai “brevemente”, ao Parlamento, para “derrubar barreiras e garantir oportunidades iguais para todos”.

Rosana Almeida disse, por outro lado, que “não obstante as lutas e os ganhos” com relação à erradicação da pobreza feminina, ainda mais de 50% dos pobres em Cabo Verde são mulheres.

É o que diz o inquérito das despesas e receitas familiares feito em 2015, que demonstra, precisamente, que a mulher representa a maioria  (53%) da população pobre em Cabo Verde.

O dia de hoje, segundo a presidente do ICIEG, representa as conquistas das mulheres, mas “interpela a todos a reflectirem  sobre os desafios que temos de superar enquanto Nação,   no que se refere à igualdade de direito e oportunidades”.

“Hoje é um dia que temos de parar, analisar as oportunidades que imperam o avançar das mulheres em todos os sectores do desenvolvimento e, conjuntamente, traçarmos novas acções para superar os desafios que ainda persistem para alcançarmos a igualdade de género”, avançou.

JM/AA

Inforpress/Fim

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