Santo Antão: Autarquias dispostas a financiar monografias e teses sobre a história da ilha – Orlando Delgado  (c/áudio)

Cidade das Pombas, Paul, 26 Set (Inforpress) – O presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA), Orlando Delgado, disse, no Paul, que as câmaras municipais da ilha estão “na disposição de financiar monografias e teses” sobre a história da ilha.

Durante a cerimónia de encerramento do colóquio sobre História que terminou quarta-feira, no Paul, Orlando Delgado disse ter constatado que a maior parte dos estudantes de Santo Antão que estudam História fazem monografias sobre coisas que “nada têm a ver com a realidade da ilha”, daí o desafio no sentido de se alterarem as coisas, no futuro, com o apoio das autarquias santantonenses.

O edil ribeira-grandense disse que Santo Antão tem “uma história rica” e citou alguns casos que poderão merecer a atenção dos estudiosos dessa disciplina, designadamente o facto de o primeiro General negro de toda a lusofonia ser natural de Santo Antão, de grande parte das pessoas que estiveram na luta armada de libertação nacional serem naturais de Santo Antão.

Outros exemplos citados por Orlando Delgado são os casos das disputadas políticas havidas no passado entre os concelhos da Ribeira Grande e do Paul, além da problemática do 31 de Agosto que, segundo Orlando Delgado, tem serviço de arma de arremesso político entre os partidos políticos e carece de uma investigação e divulgação “de forma isenta”.

O promotor da iniciativa, o catedrático suíço Alexander Keese, da Universidade de Genebra, disse à Inforpress que o objectivo foi “demonstrar as potencialidades deste tipo de historiografia e discutir com os colegas presentes, com os colegas cabo-verdianos interessados em História, as possibilidades de chegar a uma nova forma de escrever História”.

A investigação conduzida por Alexander Keese, na Universidade de Genebra, de que este colóquio é parte integrante, insere-se no âmbito das experiências dos países independentes na África Ocidental e sempre considerou “a possibilidade de fazer investigação histórica na ilha de Santo Antão” tendo em conta os apoios disponibilizados pelas administrações locais.

Este colóquio internacional, que decorreu sob o lema “Viver as independências: experiências, conflitos e oposições nas sociedades africanas descolonizadas, 1960-1990”, contou com a participação de um corpo científico constituído por historiadores e outros especialistas nacionais e internacionais, nomeadamente, das universidades de Ottawa (Canadá), de Oxford (Grã Bretanha), de Genebra (Suíça), de Berna (Suíça), de Berlim (Alemanha), de Cabo Verde (polos da Praia e do Mindelo), além do Comissário da CEDEAO e dos professores de História dos liceus de Santo Antão.

HF/AA

Inforpress/Fim

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