Santiago Norte: Responsável aponta processo educativo da população nas questões da saúde como um dos maiores desafios

Assomada, 14 Nov (Inforpress) – O director da Região Sanitária Santiago Norte (RSSN), João Baptista Semedo, apontou hoje a continuidade do processo educativo da população na participação das questões ligadas à saúde como um dos maiores desafios.

Este responsável falava à Inforpress, no município de São Lourenço dos Órgãos, durante a realização do workshop: “Acesso aos cuidados para a diabetes”, organizado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), para assinalar o Dia Mundial da Diabetes, comemorado hoje, 14 de Novembro.

Segundo o director, o maior desafio da região é reforçar a educação da população desta região nas questões ligadas à saúde, incentivando e demonstrando a importância de se manter mais próxima dos serviços de saúde, no sentido de fazer um ‘check-up’ frequente evitando assim diagnósticos tardios.

Nos casos dos doentes crónicos, por serem doenças que não têm cura, o desafio, segundo o mesmo, passa por fazer estes pacientes aceitarem a sua condição e seguir o tratamento para manter o controlo.

Para isso, informou que na região estão a trabalhar o doente da diabetes como um “todo”, onde, em todos os Centros de Saúde, há equipas multidisciplinares constituído por profissionais de saúde em diversas especialidades, desde médicos, nutricionista, psicólogo, entre outros, mas que também incluem um assistente social para complementar a equipa.

Destacou que é necessário fazer uma “abordagem integral”, ou seja, de ver o paciente como um “todo”, não vendo somente a parte médica e medicamentosa, mas também prestar apoios em outras áreas, justificando que o assistente social, em casos onde os pacientes possuem algumas dificuldades principalmente com a alimentação, este profissional faz a ponte junto das câmaras municipais e outras instituições no sentido de procurar apoios.

Estas equipas, conforme explicou, têm a função de manter esses pacientes controlados, oferecendo uma atenção primária, evitando o surgimento de complicações.

Sobre dados em relação aos doentes da diabetes na região, avançou que nos Centros de Saúde existem registos dos pacientes que fazem o seguimento, mas esses dados não dão uma visão da realidade, relembrando que por ser uma doença silenciosa muitas pessoas não sabem que estão doentes e muitos dos que sabem não fazem o seguimento.

Por seu turno, a directora do INSP, Maria da Luz Lima, enfatizou que estas actividades nos dias específicos são para reforçar as que têm sido feitas diariamente, mas também para mostrar a necessidade de continuar a trabalhar no processo da sensibilização.

Esta responsável salientou que a diabetes é uma doença crónica, que não tem cura, mas lembrou também que pode ser controlada e acima de tudo evitada.

“A Diabetes é uma doença crónica, mas pode ser controlada com a medicação e com o acompanhamento médico, mas acima de tudo podem ser adoptadas algumas medidas ou estilos de vida que nos ajudam a evitá-la”, disse, elencando a necessidade de fazer uma alimentação saudável, a prática de exercícios, como uma forma de evitar a doença.

Além de adoptar um estilo de vida saudável, alerta para a necessidade de cada cidadão fazer um rastreio do estado de saúde com alguma frequência, realçando que no caso da diabetes, que é uma doença silenciosa é preciso ter algum rigor, informando que muitas vezes quando o paciente se dá conta já se encontra em estado avançado e já com complicações, como problemas nos rins, na visão, problemas de circulação, entre outras.

Dos participantes, Zeferina Gonçalves, uma idosa de 69 anos, disse ser diabética há muitos anos e hoje, contou que possui várias complicações, algumas derivadas da diabetes, mas que outras nem tanto.

Entretanto, disse estar ciente da necessidade de se cuidar, principalmente no que tange à alimentação e a sua medicação, confirmando que ela não pode viver sem os remédios, pois, mesmo a base de remédios tem a noção que assim pode prolongar os seus anos de vida e diminuir o seu sofrimento.

Aos que têm diabetes pede-lhes para fazer um controlo rigoroso, mas aos que não têm, lembrou-lhes de adoptarem estilos de vida saudável de forma a evitar esta condição.

Segundo dados do Relatório do II Inquérito das Doenças Não Transmissíveis (IDNT II) apresentado em 2021, a taxa de prevalência para doentes diabéticos em Cabo Verde é de 3,7 por cento (%), na sua maioria com o tipo 2.

MC/HF

Inforpress/Fim

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