Santiago Norte: Agricultores reconhecem necessidade de se unirem e pedem mais apoios do Governo para alcançarem o mercado turístico (c/áudio)

Pedra Badejo, 25 Out (Inforpress) – Os agricultores da região Santiago Norte reconhecem a necessidade de se unirem, mas pedem mais apoios por parte do Governo de forma a enveredarem para uma produção massiva e destinada ao consumo turístico.

Este reconhecimento e apelo foi feito em declarações à imprensa em Santa Cruz, município do interior de Santiago, durante o workshop sobre oportunidades do sector primário na cadeia de valor do turismo, organizado pelo Ministério do Turismo em parceria com o Ministério da Agricultura e Ambiente.

Em declarações à imprensa, Manuel Barbosa, agricultor e produtor de aguardente, bananas e hortaliças em Santa Cruz, considerou o evento “fundamental” para alertar e informar os produtores, mas também para “despertar” o próprio Governo, reforçando que este último também possui um papel “essencial” para o desenvolvimento do sector.

Para os agricultores destacou a importância de se organizarem para trabalharem não só a questão da quantidade e da qualidade, mas também para uma planificação e assim atingir o mercado turístico.

Outrossim, realçou que existem desafios que mesmo com a organização e união dos agricultores dependem em grande parte do Governo, nomeadamente as políticas de aumento e gestão da água, mas também a questão do transporte, certificação, energia, entre outros aspectos.

“Um encontro fundamental que mostra que os produtores têm de se organizar, mas que o próprio Governo tem de estar preparado para poder atingir este grande mercado turístico”, considerou, sublinhando que não se pode dizer que vão conseguir atingir todos os 100 milhões de euros que o País gasta em compra de produtos agrícolas no exterior, mas se conseguirem chegar entre os 10 a 20 milhões “seria muito interessante”.

Nesta mesma senda Lucas Furtado, agricultor de São Lourenço dos Órgãos, outro município do interior de Santiago, recordou que a ilha de Santiago é umas das maiores produtoras a nível agrícola no País e que possui um “potencial enorme” não só na agricultura, mas também na pecuária e transformação dos produtos.

Entretanto, evidenciou que muitas vezes o que falta são os incentivos para a produção, mas também neste momento, problemas com o escoamento dos produtos, a necessidade de ter mais facilidade aos créditos, justificando que a agricultura, ou qualquer sector primário em Cabo Verde só avança para o nível comercial caso o Governo criar um Banco de fomento empresarial.

Pois, segundo Lucas Furtado, os bancos comerciais no País possuem as suas filosofias e políticas e nem sempre vão de encontro com os agricultores ou produtores que necessitam de um crédito na hora certa, num tempo recorde, que precisam aproveitar o mercado, a água e o clima muitas vezes.

Daí, defendeu a necessidade de se ter um banco voltado “exclusivamente” para o sector empresarial, tanto a nível da agricultura, como da pecuária e a transformação de produtos.

Com estas facilidades, garantiu que é possível trabalhar no abastecimento do mercado, reforçando que o País possui técnicos suficientes e capazes de transformar as ilhas com potencial agrícola em produtores maiores e que “pode dar sustentabilidade” em grande parte ao mercado turístico existente em Cabo Verde.

E com isso, realçou que estão a ser criados mais empregos no meio rural, mais oportunidades e a criar riquezas para Cabo Verde aumentar a sua dinâmica e ser mais conhecido no mundo.

O acto de abertura foi presidido pelo ministro do Turismo e Transportes, Carlos Santos, que realçou que este encontro vem na linha daquilo que é a estratégia do Governo, de ter um turismo inclusivo em Cabo Verde, de levar o turismo a todos os pontos do território e de fazer com que outras actividades possam tirar proveito do turismo.

Neste quesito, evidenciou que a agricultura “tem todas as oportunidades de tirar proveito desse mercado turístico”, informando que anualmente o País recebe cerca de 800 mil turistas, quase o dobro da população de Cabo Verde.

No workshop, avançou que pretendem transmitir essa mensagem aos agricultores e demonstrar-lhes que se conseguirem organizar na produção, fizerem uma produção regrada, com qualidade, com quantidade e também que seja constante ao longo do ano é possível conquistar parte desse mercado, que segundo os dados do Banco Mundial pode chegar aos 100 milhões de euros.

“Se trabalharmos em conjunto com as técnicas que hoje temos à nossa disponibilidade para conseguir apresentar um produto com qualidade, que chegue ao prato do turista com qualidade, mas também que chegue ao prato do cabo-verdiano com qualidade, podemos ter um valor acrescentado maior e isso é o objectivo deste primeiro encontro”, apontou o governante.

Este evento, conforme anunciou o ministro, será realizado no próximo dia 30, em Santo Antão, onde, segundo o ministro, vão estar presentes alguns especialistas internacionais, nomeadamente um representante do grupo de fornecedores do Continente e uma agricultora de Canárias.

Igualmente, informou que será feita nas outras ilhas agrícolas para se conseguir levar essa informação, formar os agricultores e despoletar esse interesse para o mercado turístico que existe hoje “esmagadoramente” concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista, mas que acaba por ser para todo o território.

Estes workshops que vão abranger todas as ilhas agrícolas têm como objectivo promover a integração dos actores do sector primário na cadeia de valor do turismo, fomentar a criação de um Clube de Fornecedores capaz de responder à demanda da actividade turística no que diz respeito ao fornecimento de produtos e serviços, contribuir para que o turismo seja mais inclusivo do ponto de vista económico.

Também, pretende-se com este evento promover a compreensão das interações entre o sector primário, nomeadamente a agricultura, pesca, pecuária e o turismo, bem como, identificar oportunidades de colaboração e integração entre os produtores do sector primário, os prestadores de serviços turísticos e os respectivos clientes.

MC/CP

Inforpress/Fim

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