Santa Catarina/189 Anos: PR defende que desenvolvimento passa pela aposta nos sectores primários e turismo

Assomada, 25 Nov (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, felicitou hoje o município de Santa Catarina pelos seus 189 anos da sua criação e defendeu que o seu desenvolvimento passa pela aposta nas suas potencialidades, nomeadamente agricultura, pecuária e turismo.

Numa carta endereçada a presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, Jassira Monteiro, e aos santa-catarinenses, o chefe de Estado, que é natural desse município, sugeriu ainda aposta na agroindústria e no turismo rural e de montanha.

Daí, exortou o município a buscar mais parcerias público-privadas e cooperações, para que possa cumprir tal potencial, atrair mais investimentos geradores de factores de competitividade e emprego, que considerou “condições indispensáveis para a melhoria das condições de vida dos munícipes, principalmente das camadas mais vulneráveis”.

Colocando a tónica nos “ganhos alcançados”, congratulou-se com avanços em matéria de acesso a mais serviços e infraestruturas sociais, nomeadamente as recentes inaugurações, do Centro de Acolhimento e Integração Social (CAIS), nas antigas instalações do Centro e Delegacia de Saúde de Assomada, da remodelação da Praça “Son Bento”, das obras de requalificação do Park Poilão, em Boa Entrada, e do miradouro de Cruz de Picos, e entre outras obras.

O mais alto magistrado da Nação assinalou ainda o apoio, principalmente, a famílias mais vulneráveis, através da construção de casas de banho e reabilitação de habitações.

Não obstante os ganhos alcançados ao longo dos 189 anos da sua criação, José Maria Neves apontou a pobreza, o desemprego jovem, a redução de poder de compra, carência de habitação social, entre outras questões, como alguns desafios e/ou constrangimentos desse município rural.

Tais constrangimentos, realçou o Presidente da República, afectam principalmente as mulheres, por constituírem a maioria da população do município – cerca de 53 por cento (%) –, ou seja, a pobreza tem rosto feminino.

Perante tudo isso, o Presidente da República encorajou este município, que coincidentemente é liderado por uma mulher, a prosseguir nos esforços para desencravar localidades, a apostar na requalificação urbana, a ampliar o acesso à água canalizada de forma a contemplar cerca de 38% de agregados familiares que ainda não beneficiam da rede pública.

E ainda a apoiar todo o tecido empresarial local visando a retoma económica, para quem tal medida vai minimizar os impactos socio-económicos recentes nas mais variadas áreas, e empoderar as famílias para que tenham o seu rendimento de forma sustentável.

“É preciso continuar a desenvolver Santa Catarina e catapultar o município, apostando em diversas áreas e atrair grandes investimentos que irão potenciar toda a região de Santiago Norte. Tudo isso, requer um “djunta mon” (juntar as mãos, em português) colectivo dos poderes local e central, ONG, sociedade civil e outros parceiros”, defendeu.

“Estou seguro de que, desta forma, Santa Catarina de Santiago vai ultrapassar as dificuldades presentes, graças, também, à coragem e determinação de suas gentes”, reforçou José Maria Neves.

Por fim, o mais alto magistrado da Nação, que participou hoje na procissão e missa solene em honra à santa padroeira, Santa Catarina, na companhia da presidente da câmara, Jassira Monteiro, do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e do presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, aproveitou para augurar “os melhores sucessos e votos de prosperidade e de bem-estar para os santa-catarinenses”.

O município de Santa Catarina, no interior da ilha de Santiago, o terceiro maior concelho de Cabo Verde, composto por 56 localidades, foi criado em 1834.

Com uma superfície de 243 quilómetros quadrados, é considerado um concelho rural, onde 86% da população vive em áreas rurais e essencialmente da agricultura de sequeiro, da criação de gado, da avicultura, da pesca e do comércio retalhista.

Ao longo da sua história, o concelho foi marcado pelas revoltas dos Engenhos de 1822, Fonteana em 1835, Ribeirão Manuel em 1910 e várias petições dirigidas ao Ministério do Ultramar por cidadãos de Santa Catarina nos anos de 1946, 1962 e 1970, para além da adesão de jovens e estudantes pela causa da independência de 1975 e pela democracia em 1991, que culminou com as primeiras eleições.

Para assinalar as festividades da santa padroeira desse município do interior de Santiago, foi programado um leque de actividades culturais, desportivas que arrancaram desde início de Novembro, e ainda inaugurações.

As festividades, que este ano se comemoram sob o lema “Nu sta djunto pa Santa Catarina” (Estamos juntos por Santa Catarina, em português), tiveram o seu ponto alto hoje, com uma procissão e missa em honra da santa padroeira, na Igreja Matriz com o mesmo nome, em Cabeça Carreira, que foi presidido pelo padre José Eduardo Afonso.

FM/CP

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos