Salenses pedem “maior atenção” ao sector da Justiça para que se tenha uma sociedade “mais sã”

Espargos, 26 Out (Inforpress) – Cidadãos de vários extratos sociais, no Sal, apelaram hoje para a necessidade de uma “maior atenção” à Justiça, para que se tenha uma sociedade “mais sã e contente” com os valores que todos defendem, entre eles a justiça.

Na perspectiva de alguns cidadãos abordados pela Inforpress sobre a situação da Justiça, a propósito do tradicional debate de Outubro no parlamento sobre a situação da Justiça, a maioria diz-se insatisfeita e considera a Justiça no país “verdadeiramente doente”.

Emiliano Lopes, licenciado em Sociologia, disse que raras vezes esteve em contacto com os tribunais, ou seja, ser parte integrante de alguma demanda a nível da justiça, mas o sentimento, “quase que generalizado”, é que a justiça em Cabo Verde, “não desapareceu de todo, mas é morosa e às vezes nem chega a ser justiça”, comentou.

Na sua avaliação aponta que “justiça com as próprias mãos, violência, mortes, impunidade é o cenário que se vive no país”, o que na sua opinião refletem a sede de justiça que as pessoas sentem, associado a um “grande número” de processos existentes nas comarcas a nível nacional.

“Casos, processos que se prescrevem, e depois há um sentimento de impunidade face ao criminoso ou à pessoa que infringiu algum aspecto da lei, e isso nos coloca numa situação muito desagradável”, analisou.

Suzana Silva, para quem também há um descrédito na justiça, no sistema de segurança pública, acredita, entretanto, que se tem feito “alguma coisa”, conforme disse, pelo que tem visto ou ouvido através da comunicação social, todo o investimento que se tem feito neste particular, nomeadamente, mais equipamento para as comarcas, mais agentes da justiça, mas em termos práticos isso “não se faz sentir”.

“A justiça é morosa, às vezes nem acontece, as nossas queixas são tidas, se calhar, inconsequentes (…) isso é preocupante porque um dos pilares de um país que se diz democrático como Cabo Verde, e não ter a justiça como base da sua sustentabilidade, é grave”, sublinhou.

Com a mesma preocupação, Idalina Monteiro conta que ela, particularmente, está insatisfeita com a justiça, já que com um processo no tribunal, não propriamente dela, mas como é casada, com família constituída, acaba por envolver um integrante do seu agregado, e “já lá vão anos”.

“Um processo tão simples, já lá vão anos e nada se resolve. Gasta-se muito dinheiro, mas a justiça não existe”, desabafou.

Preocupado com a onda de justiça com as próprias mãos, não só no Sal, mas a nível do País, José João adverte que se trata de um problema social, que necessita de “atenção urgente”.

“A população está cansada de tanta insegurança, dos vários casos que acontecem não apenas no noticiário, mas nos nossos próprios bairros. O Governo deve atender ao pedido da população que se ouve todos os dias a queixar-se, por melhorias na segurança pública, e maior rigidez na execução das leis”, exteriorizou.

Considerando que há um “abismo, um fosso interminável” entre o discurso daqueles que são de facto agentes da justiça, desde o próprio-ministro até às comarcas e juízes, uns e outros, desesperançados, dizem não ver uma luz verde no fundo do túnel quanto ao alvo preconizado em matéria de justiça no país.

Esperam que o debate à volta deste tema “fulcral”, previsto para terça-feira, 31, seja feito “não só para animar” aqueles que anseiam pela justiça, mas sobretudo, que em termos práticos haja resultados a “bem de todos”.

SC/AA

Inforpress/Fim

 

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