Reunião entre sindicato e Ministério da Educação foi inconclusiva e a manifestação dos professores mantém-se

Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – A reunião de hoje entre o Ministério da Educação e o Sindicato Nacional dos Professores terminou sem acordo e a manifestação marcada para 04 de Novembro mantém-se, segundo disse aos jornalistas o presidente do Sindesp.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sindep), Jorge Cardoso, o encontro entre as partes para evitar a manifestação dos professores marcada para 04 de Novembro foi “inconclusivo” por falta de entendimento sobre o aumento salarial dos docentes.

“Em termos de reajuste salarial não há nenhum entendimento, mas esta associação vai continuar no terreno a oscular os professores, pois teremos que avançar com a luta, mesmo nesta circunstância, mas a palavra final é dos professores, não dos sindicatos”, sustentou.

Em termos de alguns compromissos, afirmou que o ministro da Educação se comprometeu em apoiar a classe docente, mostrando total a abertura e disponibilidade em responder algumas reivindicações.

Mas, mesmo assim, o sindicalista diz que os professores vão avançar com uma greve, denominada “luta fria”, por tempo indeterminado, sucessivo e com números de professores diferenciado, porque, segundo explicou, o governo “não está a respeitar” esta classe.

De acordo com Jorge Cardoso, o sindicato vai reunir-se, nos próximos dias, com os delegados de Santo Antão e São Vicente e com todos os dirigentes da ilha de Santiago, para tomarem a melhor decisão possível neste assunto.

Por outro lado, sublinhou que os professores não querem partir para manifestação ou greve, mas que não lhes restam outras alternativas devido a promessas cumpridas pelo Governo, sublinhando que o reajuste salarial para com esta classe é “fundamental”, não só para os professores, como também para a classe dos trabalhadores em Cabo Verde.

O sindicalista sublinhou ainda que o cronograma para resolução das pendências não foi também resolvido e que as reclassificações terão que ser publicadas até Novembro e que as transições, a mudança de níveis, ou seja, as promoções, até ao primeiro trimestre.

Por sua vez, o ministro da Educação, Amadeu Cruz, disse que a greve e a manifestação são direitos legítimos e constitucionais de todos os trabalhadores.

“Em relação à manifestação entende-se que esses grupos têm motivos legítimos e de não estarem em convergência total com os sindicatos, pois é preciso conhecer a motivação desses grupos de professores que organizaram as manifestações para poder tirar ilações, para ver se não há divergência entre aquilo que falamos com os sindicatos e a expectativa dos professores e entender aquilo que querem”, vincou Amadeu Cruz.

Em relação ao encontro, disse que chegaram a um entendimento sobre o processo das reclassificações e que a conclusão deste está aprazada ainda para este ano.

“Chegamos a entendimento de que devemos desencadear os processos de transição, pois já criamos um grupo de trabalho para podermos afinar a lista dos professores que reúnem requisitos para transição. Igualmente, o entendimento na regulamentação do concurso para a promoção dos professores com publicação da portaria de regulamentação das promoções até Março de 2024”, afirmou o governante.

A nível do processo de revisão do estatuto da carreira docente, assegurou que vão actualizar a tabela remuneratória dos professores, afirmando que vai haver “aumento salarial” no quadro desta revisão.

Com isto, sustentou que estarão a eliminar todas as pendências que vinham desde 2008.

Reconheceu que “não houve total entendimento” no que tange ao aumento salarial, explicando que se está neste momento a preparar o orçamento do Estado para 2024.

“Neste âmbito caberá ao sector da administração pública e gestão das finanças públicas abordar de forma mais abrangente, se de facto o país tem de facto condições para aumentar o salário”, clarificou.

DG/JMV
Inforpress/Fim

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