Economia/Retrospectiva: Cabo Verde manteve em 2019 a tendência de crescimento do PIB

Cidade da Praia, 24 Dez (Inforpress) – A economia cabo-verdiana manteve, em 2019, em termos de evolução, o ritmo do crescimento, com a previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) a chegar aos 5,2%, conforme as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que o PIB cresceu em volume 5,7% no primeiro semestre, impulsionado, principalmente, pelas dinâmicas de administração pública, impostos líquidos de subsídios, comércio, imobiliária e outros serviços e construção.

A inflação média anual fixou-se nos 1,2% em Agosto e em 1,0% em Novembro e a balança corrente registou um excedente de 0,5 por cento do PIB, (resultado positivo quando comparado ao défice de 1,8 por cento do primeiro semestre de 2018), reflexo, sobretudo, da melhoria da balança comercial de bens e serviços.

Os dados assinalam, também, o bom desempenho das contas externas, resultado da acumulação das reservas internacionais líquidas, que este ano atingiram o valor histórico de mais 600 milhões, cobrindo a 30 de Junho de 2019 5,85 meses de importações de bens e serviços projectadas para o ano.

Segundo o Banco de Cabo Verde (BCV), o aumento das reservas oficiais do país determinou a expansão da oferta monetária nos primeiros oito meses do ano, numa conjuntura de crescimento comedido do crédito ao sector privado, de alguma redução da taxa média de juros aplicada nas operações de empréstimos.

De destacar também a tendência ascendente, ao longo do ano, do clima económico, com o indicador de confiança dos operadores económicos a evoluir de forma positiva.

Segundo o INE, esse diagnóstico conjuntural resultou da síntese das apreciações transmitidas pelos empresários da construção, do comércio em estabelecimentos, do turismo, da indústria transformadora e dos transportes e serviços auxiliares aos transportes.

Já em relação ao indicador de confiança no consumidor, os dados do INE indicam que houve uma oscilação durante os três trimestres do ano, o que demonstra que a confiança dos consumidores não foi estável. Contudo, o INE realça que mesmo no último trimestre, em que a tendência foi desfavorável, o indicador de confiança situou-se acima da média da série, ou seja, que a apreciação das famílias sobre a sua situação económica actual foi positiva.

Em termos de volume de negócios, os dados do terceiro trimestre de 2019 evidenciam para um aumento 7,9% face a 2018.

No que se refere ao mercado de trabalho, os dados apresentados em 2019 ano pelo INE referem-se ao ano económico de 2018, e apontaram que a taxa de desemprego situou-se em 12, 2 por cento (%), valor semelhante ao verificado no ano imediatamente anterior, o que demonstra que o crescimento económico teve pouco reflexo na diminuição do desemprego.

Entretanto, o Governo aprovou no ano em referência o Programa das Políticas Activas de Emprego, que prevê como meta para 2019 qualificar cerca de 5.000 jovens com implementação de acções de formação em diferentes áreas profissionais, e beneficiar 5.000 jovens com estágios profissionais.

E tendo em conta o estudo de impacto que indica que a taxa de inserção no mercado de trabalho, de uma forma global, é de 63,9%, estima-se que no final de ano mais de 3.000 dos 5.000 beneficiários do programa estarão inseridos inserção no mercado de trabalho.

Em termos de notícias da área de economia, destaque vai para a realização, em Julho, na ilha do Sal, do Fórum de Investimento de Cabo Verde, que tinha por objectivo acelerar os investimentos dos sectores financeiros privado e público.

O evento contou com a presença de mais de 400 participantes de todo mundo e foi palco para mais de 100 encontros, tendo sido mobilizado, segundo o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, 1,5 mil milhões de euros em projectos e intenções de investimento privado.

De entre os pacotes de investimento está o projecto de construção de um hospital de raiz no país, com o objectivo de acabar com o transporte de doentes para outros países e para que os quadros e médicos da diáspora possam prestar serviço no arquipélago.

Durante o evento, ainda Cabo Verde assinou com Portugal e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) o compacto lusófono no valor de 470 milhões de dólares.

Um outro fórum de investimento foi realizado em finais de Setembro e início de Outubro, em Boston, na linha daquele que tinha sido realizado em Paris em 2018.

Em termos financeiros, destaque ainda para a entrada em funcionamento, no mês de Julho, de um novo banco – O Internacional Investiment Bank (IIB) – pertencente a um grupo de serviços financeiros com sede no Reino do Bahrain e que comprou 90% do capital social do Banco Internacional de Cabo Verde.

O banco conta com dois balcões, na Cidade da Praia e no Sal, havendo planos para a expansão para outras ilhas.

Em Setembro, o Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou o diploma sobre a venda das acções do Banco Comercial de Atlântico (BCA), mas ainda não há informações sobre compradores.

O Estado assinou o contrato da compra e venda das 27,44% acções que a Geocapital detinha na Caixa Económica. As acções, segundo Olavo Correia, vão ser depois colocadas à venda na Bolsa de Valores.

A perspectiva do Governo é que a Caixa avance para um sistema de banco de investimento, numa lógica de financiamento à economia, com o intuito de criar novos investimentos e veículos para financiar a economia nacional, em diferentes níveis.

Por outro lado, o Estado vendeu as acções que detinha na Empresa Nacional de Combustíveis (ENACOL). São 21 mil acções que representam 2,1% do capital da empresa e que renderam ao Estado cerca de 87 mil contos.

MJB/JMV

Infirpress/fim

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