Representante da ONUDC pede união de forças para combater o tráfico ilícito via marítima na África Ocidental

Cidade da Praia, 13 Nov (Inforpress) – O novo representante da ONUDC para a África Ocidental, António Mazzitelli, destacou hoje na cidade da Praia a importância da união de forças entre os estados para combater o tráfico ilícito praticado por via marítima na África Ocidental.

António Mazzitelli falava à imprensa à margem da abertura de um workshop de três dias sobre o tráfico ilícito de drogas por via marítima, denominado “Do artigo 17 da Convenção de Viena à finalização legal”, promovido pelo Centro Inter-Regional de Coordenação (CIC) marítima para África Central e Ocidental, em parceria com o Escritório Regional das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONUDC) e o Programa Global do ONUDC sobre o Crime Marítimo.

Conforme explicou o representante da ONUDC, este seminário faz parte de um programa global das Nações Unidas para fortalecer a capacidade dos Estados da África Ocidental para garantir o direito de navegar no mar e tornar mais difíceis os negócios de traficantes e criminosos.

Os crimes marítimos representam, conforme António Mazzitelli, “um problema para toda a região e para todo o mundo”, por isso defende que é preciso “garantir a liberdade de navegação à segurança da navegação e, ao mesmo tempo, proteger os interesses económicos e a vida das pessoas nos navios”.

Ainda nas suas declarações, este responsável destacou o tráfico de drogas como um dos mercados em que as organizações criminais utilizam para aproveitar da liberdade do mar. Entretanto, referiu que há mais crimes relacionados com o aproveitamento de riquezas naturais, a pesca, o contrabando e até mesmo para navegação clandestina.

Por isso, defendeu que se una forças de todos os países para garantir uma liberdade que beneficia todos os países da Europa, da América e da África.

“Para que essas forças trabalhem juntas e isso seja muito importante sob as regras da lei, mesmo se estivermos em alto mar, onde nenhum Estado tem jurisdição exclusiva, devemos usá-la para garantir outros direitos”, acrescentou.

Conforme explicou, existem regras nas convenções internacionais contra o narcotráfico e o crime organizado que norteiam a forma como estados podem trabalhar juntos.

António Mazzitelli citou a Convenção de Montego Bay sobre o Direito do Mar e a Convenção de Palermo, por exemplo.

“Acima de tudo, existe um mecanismo regional, existe o mecanismo de Yaoundé na luta contra a pirataria e o controlo marítimo que permite aos Estados da região desenvolver mecanismos de acção”, acrescentou.

Quanto às mais de 12 toneladas de drogas apreendidas nas águas de Cabo Verde, só este ano, António Mazzitelli disse que é uma demonstração de como os estados juntos podem combater o tráfico e outras formas de crime que ocorrem no mar.

“Além de unir forças, trabalharem em conjunto para compartilhar informações no sentido de alcançar a apreensão e, após a apreensão, a investigação e detenção dos traficantes que não estão no navio, mas que estão nos locais de destino e envio”, finalizou.

GSF/ZS

Inforpress/Fim

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