REPORTAGEM/Porto Novo: Sem estrada agricultura em Faial e Dominguinhas pode estar comprometida – agricultores

Porto Novo, 12 Dez (Inforpress) – Sem estrada, a actividade agrícola nos vales encravados no interior do Porto Novo, Santo Antão, pode estar a correr riscos, no dizer dos agricultores, que destacam Faial e Dominguinhas, em Alto Mira, como sendo os “casos mais sérios”.

Devido ao isolamento e falta de oportunidades, essas zonas estão a perder a sua população, com grande incidência para os jovens, e isso faz com que essas localidades de grande potencial agrícola estejam a perder “a força do trabalho”, segundo os lavradores Elsa Fortes e António Duarte.

No caso de Dominguinhas, o delegado municipal em Alto Mira, Armindo Cosmo, estima que cerca de 70 por cento (%) dos jovens terão abandonado, nos últimos anos, essa zona por causa do isolamento, acreditando que a estrada poderia reter as pessoas nas suas próprias comunidades.

Ainda assim, se consegue produzir muito nessas zonas, mas tem sido “quase em vão”, já que, adiantou Elsa Fortes, a produção de cenoura, repolho, batatas, tomates fica “praticamente perdida” porque não há forma de escoar os produtos.

É caso para dizer que os agricultores estão “a produzir para nada”, adianta.

“Sem estrada, os produtos são transportados através dos animais (burros e mulas) e quando chegam ao mercado já não têm qualidade”, lamentam os lavradores.

Trata-se de uma situação que “prejudica muito” os agricultores, segundo Gabriel Dias, outro agricultor que pediu ao Governo para desencravar o interior de Alto Mira, para que, além de Faial, os agricultores de Dominguinhas possam, também, escoar os seus produtos.

Os agricultores de Faial e Dominguinhas tinham “a esperança” de que o Governo, ainda neste mandato, pudesse desencravar essas localidades agrícolas e turísticas, mas dizem “resignados” depois de ouvir as declarações da ministra das Infra-estruturas, Ordenamento do Território e Habitação, Eunice Silva, segundo as quais “o compromisso do Executivo é com as seis estradas em execução” nesta ilha, actualmente.

A Associação dos Agricultores em Alto Mira, através do seu presidente, Jailson Neves, partilha da “preocupação” dos lavradores de Faial e Dominguinhas, zonas onde vivem ainda 50 famílias, cujo sustente depende da agricultura.

Já o presidente da câmara do Porto Novo, Anibal Fonseca, entende que o desencravamento do vale de Alto Mira, por ser “um dos mais produtivos” de Santo Antão, representa “um desígnio” para todo o município do Porto Novo, “ainda muito encravado”, apelando ao Governo para criar as condições que permitam a construção da estrada de acesso a Dominguinhas.

É de opinião de que a estrada que ligará o segundo povoado de Alto Mira a Faial e Dominguinhas é “um grande problema que tem de ser resolvido”, acreditando que o Governo “vai olhar” para esses povoados.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, numa das visitas a Dominguinhas, considerou que a estrada de penetração em Alto Mira, mais precisamente a Dominguinhas, é “um compromisso assumido” pelo Governo e “uma necessidade” que devem ser tidos em conta.

“Fazer chegar estrada a Domingues não é nenhum luxo, é uma necessidade e um compromisso assumido”, pelo Governo, segundo Jorge Santos.

Os deputados da Nação, eleitos por Santo Antão, têm estado, igualmente, a alertar para o problema do isolamento no interior de Alto Mira, que está, no seu entender, a condicionar o desenvolvimento desse vale, também, com enormes potencialidades a nível do turismo.

O deputado Damião Medina reconhece que a construção da estrada para Dominguinhas e Faial é “uma necessidade” e “uma reivindicação antiga” dos habitantes desses povoados.

Com o actual Governo, Santo Antão foi já contemplado com seis estradas de desencravamento, num investimento de quase um milhão de contos.

Além de Dominguinhas e Faial, também reclamam estradas de acesso as zonas de Caíbros, Pia de Cima, Monte Trigo, Ribeira dos Bodes, Ribeira Fria, mas, para já, o “compromisso” do Governo é com as estradas para Tarrafal, Martiene, Cruzinha, Figueiral do Paul, Chã de Branquinho e Lagoa do Planalto Leste, segundo a ministra.

JM/ZS

Inforpress/Fim

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