Ranking Liberdade de Imprensa: AJOC satisfeita com classificação de Cabo Verde, mas “preocupada” com autocensura

Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) – A AJOC mostrou-se hoje satisfeita com a classificação de Cabo Verde no ranking mundial da liberdade de imprensa, que mantém a 25ª posição, alertando, entretanto, para a questão da autocensura dos jornalistas no País.

Em declarações à Inforpress, o vice-presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, afirmou que a o sindicato dos jornalistas não estranha a classificação de Cabo Verde no relatório dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), defendendo que ainda há “muito caminho a percorrer” para a promoção e garantia da liberdade de imprensa em Cabo Verde.

“Estamos satisfeitos pelo facto de Cabo Verde não ter descido no ranking, entretanto achamos que esta nota positiva é o mérito dos jornalistas e dos profissionais da comunicação social que diariamente labutam pela liberdade de imprensa no País”, declarou, frisando que o Governo e nem qualquer entidade política “não têm que colher louros” com essa classificação.

Para Geremias Furtado, a AJOC está igualmente preocupada quando vê que o Governo está com a classificação do arquipélago no ranking mundial de liberdade de imprensa a “lançar foguetes numa situação em que Cabo Verde praticamente estagnou na sua posição”.

Por outro lado, a AJOC, prosseguiu, chama a atenção para a questão da autocensura mencionada no relatório dos RSF, frisando que esta questão reflecte aquilo que é a realidade e as condições precárias de trabalho, que muitos profissionais da comunicação enfrentam.

“Entendemos que ainda há muito a fazer nessa matéria, é preciso uma atenção especial aos órgãos de comunicação social privados, porque no nosso entender nos órgãos privados há uma grande pressão e a condições de trabalho precários”, referiu.

Cabo Verde mantém a 25ª posição no ‘ranking’ mundial da Liberdade de Imprensa 2020, revelou hoje o Repórteres Sem Fronteiras (RSF) que indicou que o País obteve +0,34 pontos a nível global em relação a 2019.

De acordo com o índice que classifica a liberdade de imprensa no mundo e avalia 180 países, Cabo Verde distinguiu-se pela “ausência de ataques contra jornalistas e uma grande liberdade de imprensa”, garantida pela Constituição e o último processo por difamação foi em 2002.

O documento refere que o panorama mediático é dominado pelos veículos de comunicação estatais, cujos funcionários são nomeados directamente pelo Governo, incluindo o principal canal de televisão TCV e a Rádio Nacional de Cabo Verde. Destaca ainda que o seu conteúdo não seja controlado, a prática da autocensura permanece difundida.

Além disso, lê-se no relatório, a Radiotelevisão Cabo-verdiana (RTC) “quer impor aos seus jornalistas um código de ética e conduta”, incluindo “várias cláusulas que limitam a liberdade de expressão dos jornalistas nas redes sociais”.

O mesmo documento aponta que o desenvolvimento dos meios de comunicação privados “é limitado por um mercado publicitário restrito e pela ausência de subsídios para os operadores de audiovisual”. Também defendeu que “a geografia do arquipélago dificulta a distribuição da media impressa e  difusão em todas as dez ilhas”.

Cabo Verde ocupa o segundo no continente africano atrás de Namíbia com a 23ª posição. Segue-se depois o Gana no 30º posto e a África do Sul na 31ª posição. A Eritreia no 178º lugar continua a ser o pior no ‘ranking’ de liberdade de imprensa na África.

Entre os países lusófonos, Guiné-Bissau, Brasil e Moçambique registaram piores resultados do que na avaliação anterior, enquanto Portugal, Timor-Leste e Angola melhoraram e Cabo Verde e Guiné Equatorial mantiveram as posições do índice anterior.

A Guiné Equatorial situou-se no 165º devido ao “controlo total dos media” pelo Governo, à “censura generalizada”, e ainda à “detenção de dois jornalistas por terem realizado uma entrevista”.

Guiné-Bissau, que este ano surge no 94.º lugar, caiu cinco posições. Os Repórteres sem Fronteiras (RSF) consideram que “o impasse político” que se vive no país tem sido “um obstáculo à liberdade de imprensa”.

CM/AA

Inforpress/Fim

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