Primeiro-ministro destaca advocacia da Hungria a favor de Cabo Verde junto da União Europeia

Cidade da Praia, 28 Mar (Inforpress) – O primeiro-ministro destacou hoje, na Cidade da Praia, a advocacia que o governo da Hungria e o seu primeiro-ministro, Viktor Orbán, têm feito a favor de Cabo Verde junto a União Europeia.

Ulisses Correia e Silva falava momentos após a assinatura de quatro acordos de cooperação a nível económico e técnico, que ocorreu no âmbito da visita de dois dias que o chefe do governo húngaro efectua ao arquipélago.

“Gostaríamos de fazer uma referência especial a advocacia que o primeiro-ministro e o seu governo têm colocado a favor de Cabo Verde nas relações do arquipélago com a União Europeia”, afirmou Ulisses Correia e Silva, que relembrou que o país tem uma “relação estratégica” com a União Europeia e que aspira “conseguir a mobilidade” nesse espaço.

O primeiro-ministro fez ainda, nas suas declarações, referência à cooperação para o desenvolvimento e à cooperação económica existentes entre os dois países, ao mesmo que manifestou a intenção de Cabo Verde em atrair investimentos, turistas e comércio húngaros, para que as relações, para além de políticas, sejam também económicas.

Segundo disse o governante, os acordos que foram hoje assinados espelham a intenção e vontade de cooperação entre Cabo Verde e Hungria.

“Para além de cooperação técnica e económica, é sabido que temos com a Hungria, já há vários anos, disponibilidade de formação de quadros cabo-verdianos. Essa é uma área que nós queremos desenvolver ainda mais, a disponibilidade de bolsas de estudos para os nossos estudantes estudarem na Hungria”, completou.

Mais adiante, Ulisses Correia e Silva defendeu que um acordo para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal e protecção de investimentos é “importantíssimo” para criar um “ambiente favorável” de investimentos húngaros em Cabo Verde.

Mereceu também uma “referência especial” de Ulisses Correia e Silva o programa de cooperação financeira que alberga a disponibilização de uma linha de crédito para financiamento de um sector “muito importante”, que abrange a água e a agricultura em Cabo Verde.

“Vai em linha com aquilo que definimos como estratégia para aumentar a resiliência e reduzir os impactos das alterações climáticas”, acrescentou a mesma fonte, indicando o Governo está a actuar “fortemente” para reduzir a dependência de Cabo Verde na irregularidade das chuvas e, também, reduzir a dependência das energias alimentadas por combustíveis fósseis.

Por tudo isso, Ulisses Correia e Silva agradeceu a “disponibilidade e a confiança” nesta cooperação com a Hungria “em sectores fundamentais” para o desenvolvimento do país.

O primeiro-ministro húngaro, por seu lado, mostrou-se satisfeito pela assinatura desses acordos e manifestou o desejo de ver que os mesmos sirvam a Cabo Verde.

Cabo Verde e Hungria assinaram hoje quatro instrumentos jurídicos, nomeadamente a carta de intenções relativa as negociações do acordo para evitar a dupla tributação e a prevenção da evasão fiscal em matéria de impostos sobre rendimento, acordo de promoção e protecção recíproca de investimentos e acordo sobre o estabelecimento de programa quadro para cooperação financeira.

Foi assinado ainda o acordo de linha de crédito de 35 milhões de euros (3,8 milhões de contos), disponibilizado pelo Governo húngaro para a mobilização e reutilização de água, bem como a apresentação do primeiro cônsul honorário de Cabo Verde na Hungria, Peter Vandor.

Durante a estada do primeiro-ministro húngaro no arquipélago foram debatidos ainda questões ligadas à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo em conta que a Hungria é observador associado da organização.

Viktor Orbán, que chegou hoje a Cabo Verde acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio Externo, Péter Szijjárto, e vários assessores, foi recebido pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos.

Actualmente, Cabo Verde e Hungria têm uma cooperação no domínio educacional e cultural, em que o governo húngaro concede ao arquipélago dez bolsas de estudo por ano, bem como uma assistência técnica para a implementação do método Kodaly no ensino da música.

GSF/AA

Inforpress/Fim

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