Presidenciais 2021: JMN quer que cidadãos comecem a questionar origem de tanto dinheiro utilizado nas campanhas eleitorais

Cidade Praia, 03 Out (Inforpress) – O candidato às eleições presidenciais de 17 de Outubro José Maria Neves disse hoje que “os cidadãos cabo-verdianos devem começar a questionar de onde é que está a vir tanto dinheiro” utilizado nas campanhas eleitorais.

Sem referir a nenhuma das candidaturas, José Maria Neves contou que tem visto determinados tipos de equipamentos e materiais “absolutamente luxuosos” para um país que está com problemas como a pobreza, desigualdade e desemprego por causa da pandemia.

“Então é preciso proibir determinados aspectos, proibir na lei. Não podemos continuar a esbanjar recursos desta maneira. Por outro lado, os cidadãos cabo-verdianos devem começar a questionar de onde é que está a vir tanto dinheiro”, precisou.

O candidato, que falava aos jornalistas em Eugénio Lima, na Praia, voltou hoje a denunciar aquilo que classificou de “uma despudorada utilização de bens públicos para a campanha eleitoral”, salientando que perante as candidaturas presidenciais toda a administração do Estado tem de ser efectivamente imparcial.

“Esperemos que as pessoas arrepiem caminho, respeitem os cabo-verdianos e contribuam efectivamente para a afirmação das liberdades fundamentais e para a consolidação da democracia e o reforço do Estado de direito”, acrescentou.

Questionado se a administração eleitoral não está atenta às prevaricações durante a campanha eleitoral, José Maria Neves, disse entender que a mesma está atenta, mas indicou que muitas vezes os mecanismos de responsabilização não funcionam convenientemente.

Neste sentido, chamou a atenção para a necessidade de se melhorar a justiça eleitoral e todas as leis ligadas à preparação das eleições.

“Portanto não é só estar proibido na lei é preciso também que sejam cumpridos, porque temos reparado que o prevaricador tem saído a ganhar porque os mecanismos de responsabilização não têm funcionado efectivamente”, justificou.

José Maria Neves é de opinião que é possível transformar a campanha eleitoral num “sobressalto cívico”, para chamar a atenção das pessoas e garantir que a eleição resulte de debates e confronto de ideias, afastando qualquer tipo de fantasmas relacionados à tentativa de “compra de eleição”.

“A eleição tem de resultar de debate de ideias, de apresentação de propostas e confronto democrático da nossa diferença e pluralismo porque é isso que dá mais força à nossa democracia”, argumentou, lamentado, entretanto, o facto de não ter havido o debate, o confronto de ideias, mesmo a nível da comunicação social.

Os dois debates realizados na RCV e TCV, sem réplicas e sem confronto de ideias na sua perspectiva não passam de duas grandes entrevistas, considerou.

Nas presidenciais de 17 de Outubro, concorrem outros seis candidatos – Fernando Delgado, Gilson Alves, Carlos Veiga, Hélio Sanches, Casimiro de Pina e Joaquim Monteiro.

As últimas eleições presidenciais em Cabo Verde ocorreram no dia 02 de Outubro de 2016, com três candidatos (Albertino Graça, Jorge Carlos Fonseca e Joaquim Monteiro). Venceu Jorge Carlos Fonseca na primeira volta para um segundo mandato, com 74% dos votos.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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