Praia: Técnicos Electrotel denunciam falta de segurança no trabalho, mas empresa refuta acusações

Cidade da Praia, 22 Set (Inforpress) – Um grupo de técnicos da Electrotel, empresa que presta serviços à Electra, mostrou-se preocupado com a carência de equipamentos de protecção individual e colectiva que há muito lhes são prometidos e pedem intervenção, mas a empresa refuta a denúncia.

Segundo as fontes que pediram para não serem identificadas, há muito que a Electrotel vem prometendo melhorias para a segurança no terreno, bem como aumento salarial, mas até então nada em concreto foi feito, pelo que têm vindo a enfrentar “inúmeros constrangimentos”.

Os mesmos revelaram que já estão a integrar-se ao sindicato de trabalhadores, no intuito de buscar outras formas de luta pelos seus direitos.

De acordo com o técnico Albertino (nome fictício), os equipamentos de protecção individual e colectiva são praticamente “zero”, provocando “acidentes” no trabalho, nomeadamente choques eléctricos graves, tendo ressalvado que na época das chuvas os perigos “são maiores”, por causa de más ligações e roubos de energia eléctrica.

Conforme acrescentou, os desmantelamentos dos roubos de energia na ilha de Santiago têm sido motivos de “rivalidades” entre os trabalhadores e a população, o que gera medo no seio dos técnicos já que sofrem constantes ameaças de tiro, pedras e catanas.

“Queremos mais segurança”, pediu a mesma fonte, argumentando que, dos vários equipamentos de protecção individual existentes, os únicos que usam são luvas, que nem são “apropriadas” para a electricidade, capacetes, botas e cintos.

Outra preocupação, destacou Albertino, são os salários que não são compatíveis com os serviços prestados e o não pagamento das horas extras.

“Segurança é Deus que nos protege” avançou Vicente (nome fictício), por sua vez, à Inforpress, tendo classificado de “complicada” esta “espera” no reforço da segurança por parte da referida empresa.

“Nosso trabalho é nos postos com corrente directo, correndo riscos de vida, mas não há outro jeito de desempenhar as nossas funções. Continuamos, porque é lá que está o nosso pão de cada dia”, frisou Vicente.

Segundo o mesmo, são vários os riscos que correm, mormente, tomar choque eléctrico e cair de postes, lembrando que podem perder a vida devido à falta de segurança e de protecção no trabalho.

Vicente disse ainda que já alertaram várias vezes à empresa sobre este aspecto, mas ainda não resolveram nada, aproveitando, uma vez mais, para reiterar esse apelo.

Por seu turno, Gonçalves (nome fictício), reforçou o dito pelos seus colegas, assegurando que a segurança no trabalho é “insuficiente”.

“Após a ocorrência de alguns acidentes é que conscientizam que precisamos de mais segurança, fingem tomar alguma medida, mas é só fantocha, não passa disso. Só promessas(…)”, explicou a mesma fonte.

Gonçalves acrescentou, de igual modo, que precisam de equipamentos apropriados para a electricidade e com “qualidade” e referiu que o salário de 25 mil escudos é “baixo”, sendo que a empresa promete aumento salarial, no entanto, não o concretiza.

“Queremos que a empresa invista mais no programa de segurança e que os recursos humanos aproximem mais dos trabalhadores, não só quando houver problemas, e que revejam a grelha salarial”, concluiu em jeito de apelo.

Em defesa à empresa, Marcolino Dias, administrador e sócio-gerente da Electrotel, refutou as acusações, garantindo que os técnicos não fazem horas extras, que trabalham das 08:00 às 16:30, de segunda-feira a sexta-feira, com um intervalo de uma hora para o almoço.

Quanto à segurança, Dias assegurou que todos os carros estão munidos de equipamentos de segurança, tanto colectivos como individuais, no entanto, admitiu que as luvas são de pouca qualidade devido aos “problemas e limitações” do mercado cabo-verdiano, sendo que as luvas importadas são de serviços comuns.

Relativamente ao salário, o mesmo pensa que os técnicos da Electrotel estão a fazer comparação com o salário dos técnicos da Electra, tendo frisado que a Electrotel é uma empresa pequena de prestação de serviços, pelo que “não tem condições de pagar o mesmo salário que a Electra”.

Marcolino disse estar ciente de que os técnicos que trabalham com furtos e fraudes de energia enfrentam situações de agressividade por parte da população e, por isso, a empresa ordenou-lhes para deixarem os locais, imediatamente, e accionar a Polícia Nacional, sempre que se sentirem ameaçados.

TC/DR

Inforpress/Fim

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