Praia: Operadores contentes com complexo de pesca mas reclamam mercado e espaço para conservação de pescado

Cidade da Praia, 12 Dez (Inforpress) – Os operadores de pesca da região de Santiago Sul estão contentes com o complexo de pesca, hoje inaugurado, mas reclamam um mercado distribuidor e melhores condições para a conservação de pescado em tempos de boa faina.

Maria Semedo, vice-presidente da Associação dos Armadores de Santiago, realça as condições criadas pela empresa gestora do espaço já que, conforme adiantou, neste momento há melhores condições de descarga e de venda do pescado.

“Nós passamos muito tempo expostos ao sol mas agora, com esse espaço que é coberto, vamos estar em melhores condições”, disse Maria Semedo que admitiu que isso contribuirá para melhorar mesmo a saúde dos utentes porque, explicou, “o sol faz mal à saúde. Teremos mais espaço e melhor organização e isso também ajuda”, disse.

Para além da sombra realça também o facto de o espaço reunir melhores condições de higiene, o que na sua perspectiva acaba por contribuir para a melhoria da qualidade do pescado.

Contudo, reclama da inexistência de um mercado distribuidor, de espaços para armazenamento e conservação do pescado e da disponibilização de mais gelo que, neste momento, considera insuficiente.

Por outro lado declarou-se descontente com o preçário afixado para o tratamento do pescado.

“Por exemplo, para tratar um atum de 25 quilos é necessário pagar 500 escudos e para esquartejar temos de pagar 630$00” exemplificou Maria Semedo que disse entender que “é um preço elevado e se for mantido as pessoas não vão comprar e nós vamos ficar no prejuízo”, disse adiantando já que a associação vai negociar com a empresa no sentido de baixar esse preço.

As vendedeiras retalhistas, por seu turno, reclamam do preço de 250 escudos que doravante vai passar a pagar para vender no local, quando dantes pagavam apenas pela entrada.

“Nós vamos pagar 50 escudos para entrar e mais 250 para ter um espaço para vender. Quando pagarmos o transporte vamos ficar sem nada. O que resta para os nossos filhos? Estamos contentes porque vamos sair do sol, mas eles têm de ver o nosso lado também”, disse Eduarda Veiga.

Confrontado com essas reclamações Juvino Vieira, presidente do conselho de Administração da Cabo Verde Ocean, empresa que assume a gestão e exploração das infra-estruturas portuárias do cais de Pesca da Praia, adiantou que os preços foram calculados por forma a cobrir as despesas.

Juvino Vieira adiantou que investimentos foram realizados no sentido de garantir que os operadores laborem em segurança e também para agregar valor ao pescado. Anunciou que outros investimentos vão ser realizados, sobretudo, ao nível da produção de gelo e câmara de frio para a conservação de pescado.

“Este é um negócio. A exploração do local tem custos, garantir a limpeza e higienização do local tem custos, suportar todos os colaboradores e pessoal tem custos, de modo que é normal que os preços sejam actualizados”, disse anunciando já para o mês de Janeiro o aumento do preço do gelo.

Neste momento a empresa disponibiliza 10 toneladas de gelo por dia e em Março já vai quadruplicar essa quantidade, isto é, passar para 40 toneladas de gelo diários por forma a responder à demanda.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da empresa, Juvino Vieira, a infra-estrutura está organizada por zonas, existindo zona de descarga, zona de venda a grosso, zona de venda a retalho e zona de tratamento, por forma a permitir o melhor funcionamento e garantir a segurança sanitária do pescado.

MJB/HF

Inforpress/fim

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