PR destaca recursos financeiros como um dos principais problemas que “condicionam” os sistemas de saúde a nível da África (c/áudio)

Cidade da Praia, 26 Mar (Inforpress) – O Presidente da República (PR), Jorge Carlos Fonseca, destacou hoje os recursos financeiros como um dos principais problemas que “condicionam” os sistemas de saúde a nível da África a ponto de comprometer o funcionamento do sector e o desenvolvimento.

Jorge Carlos Fonseca fez essa apreciação durante o discurso que proferiu na cerimónia de abertura do II Fórum da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a Saúde em África, de 26 a 28, sob o tema “Alcançando a Cobertura Universal de Saúde e Segurança Sanitária: A África que Queremos Ver”.

“A OMS dispôs-se a ajudar na mobilização de parceiros com vista à consecução dos Objectivos pretendidos, sem deixar ninguém para trás. Este será um dos temas a ser discutido: como encontrar mecanismos que permitam obter recursos através de parceiros diversos, públicos, privados, organismos internacionais, entre outros”, disse.

Face a essa pretensão, o Chefe do Estado cabo-verdiano realçou que as urgências sanitárias constituem uma das principais limitações dos “sistemas de saúde” do país, que se prendem com sua crescente complexidade, com elevados custos sociais que acarretam e com a grande dificuldade que a sua organização ainda representa.

Lembrou ainda, no seu discurso, que devido a limitações diversas, não tem sido possível a utilização, a contento, dos diferentes instrumentos disponíveis para fazer face a essas situações extremas, pelo que avançou que esta realidade deverá ser profundamente analisada durante o evento que acolhe importantes especialistas na matéria.

Jorge Carlos Fonseca, que indicou ainda que este Fórum tem lugar num contexto em que se procura construir, a nível mundial, novas abordagens relativamente aos cuidados da saúde, ajuntou que com base nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) a OMS preconiza “um mundo onde todos gozem do grau máximo de saúde e bem-estar que se pode atingir”.

Sublinhou ainda que para dar corpo a essa visão três importantes estratégias foram definidas: assegurar a cobertura universal da saúde, enfrentar as emergências sanitárias e promover populações mais saudáveis.

Conforme o Presidente da República, o lema escolhido para o Fórum é uma visão que se enquadra nos pressupostos do Programa Geral de Trabalho da OMS para 2019/2023 que coloca grande ênfase na necessidade da cobertura universal de saúde.

“Partindo da verificação de que o continente se encontra numa complexa situação caracterizada por surtos epidémicos crescentes e uma combinação de doenças não transmissíveis e transmissíveis, propõem-se que novas perspectivas sejam encaradas”, salientou.

Para o efeito, lembrou que líderes, decisores políticos, sociedade civil e demais parceiros são convidados a se debruçarem sobre a problemática da saúde no continente, para, em conjunto encontrarem novas abordagens.

Ainda no que tange ao sector da saúde e desta feita falando de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca lembrou da comemoração do Dia da Mulher Cabo-verdiana, 27, para lembrar que estas são pedras angulares, não apenas no sector da saúde, mas da própria sociedade.

“Não restam dúvidas de que o papel da mulher cabo-verdiana na obtenção de importantes índices sanitários do país tem sido decisivo (…). Cabo Verde hoje apresenta uma esperança média de vida de 75 anos, uma taxa de cobertura vacinal superior a 90% e um sistema de saúde cujo tempo máximo para o acesso é de cerca de trinta minutos”, referiu-se.

Realçou ainda na sua missiva que o país foi considerado livre do pólio em 2016, que se encontra no processo de eliminação do paludismo e da transmissão vertical mãe/filho do VIH, da sífilis congénita e do sarampo em 2020 e que a taxa de mortalidade infantil é de 4,9 por mil.

“Apesar dos nossos êxitos e esforços permanentes que o Governo de Cabo Verde e o Ministério da Saúde têm consentido, os desafios ainda são de vulto (…). Gostaríamos que as implicações à necessidade de se conceder uma atenção especial aos pequenos Estados insulares continuassem a ter consequências, pois, nos ajudaria a enfrentar importantes limitações”, precisou.

Ressaltou ainda, no seu discurso, o percurso que o país fez no sector da saúde, apesar de sublinhar ter consciência de que uma parcela importante dos cabo-verdianos não beneficia de todos os cuidados de saúde de que necessita.

O II Fórum da OMS sobre a Saúde em África reúne no país líderes globais e especialistas em saúde para identificar soluções viáveis para fortalecer os serviços de saúde africanos, promover uma segurança sanitária mais eficaz e incentivar avanços significativos para alcançar a cobertura universal de saúde durante o principal evento do sector do continente.


PC/ZS

Inforpress/Fim

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