Portugal: Cirurgiã oncológica garante que Cabo Verde é o que melhor trata os doentes transferidos dos PALOP

Lisboa, 30 Out (Inforpress) – A médica cirurgiã oncológica portuguesa Emília Vieira garantiu hoje, em Lisboa, que em termos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Cabo Verde é o que melhor trata os seus doentes transferidos para Portugal.

Emília Vieira deu essa garantia em declarações à Inforpress, à margem do evento científico sobre o cancro da mama, no âmbito do 3º Encontro Outubro Rosa, promovido pela Associação Amigas do Peito, da qual ela é presidente.

“O Governo de Cabo Verde é o que melhor trata os seus doentes evacuados, mas, de qualquer maneira, há mulheres que são surpreendidas com o tempo que têm que cá estar, pela falta de possibilidade que têm de permanecerem dois ou três anos em Portugal”, frisou.

De acordo com a médica que trabalha no Hospital de Santa Maria e que já atendeu centenas de doentes cabo-verdianas com cancro da mama, muitas dessas pacientes estão em casas de familiares, por isso, a associação que preside acaba por receber as mulheres de Cabo Verde na sua casa de acolhimento.

“É um local que recebe as mulheres que estão deslocalizadas e sem abrigo, precisamente pelo longo tempo que têm que cá estar. Muitas vezes estão em tratamento de três em três meses, mas não há dinheiro para ir a Cabo Verde e voltar”, explicou, indicando que neste momento a casa de acolhimento tem duas mulheres, uma angolana e uma cabo-verdiana que está a programar o seu regresso a Cabo Verde, depois de cá estar há mais de quatro anos.

Em relação ao evento que contou com a presença do ministro das Comunidades, Jorge Santos, Emília Vieira disse que o objectivo é dar a conhecer, quer aos profissionais de saúde, quer aos sobreviventes de cancro, qual é cientificamente a actualidade em termos do cancro da mama., ou seja, um encontro para uma actualização, fazendo com que as pessoas estejam cientes do que se tem investigado e do que se tem feito.

“A presença dos especialistas cabo-verdianos é porque atendemos um grande número de doentes cabo-verdianos que acabam, de alguma maneira, a permanecer em Portugal por alguns anos e é importante também verificar qual o relacionamento e em que termos se poderá melhorar a evacuação de doentes de Cabo Verde para Portugal”, sustentou.

A Associação Amigas do Peito, que existe desde 2008, é uma instituição de solidariedade social que informa, esclarece e ajuda a humanizar o cancro da mama.

A associação trabalha essencialmente com pessoas que vêm de outras regiões de Portugal e dos (Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) que chegam a Lisboa para tratamento do cancro da mama.

Todos os anos a Associação Amigas do Peito dá assistência a uma média de 400 doentes, sendo que cerca de metade é de Cabo Verde.

O 3º Encontro Outubro Rosa decorre hoje e terça-feira, em Lisboa, com a participação de especialistas portugueses e cabo-verdianos que vão abordar questões relacionadas com os ganhos e desafios na área do cancro da mama.

DR/CP

Inforpress/Fim

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