PGR sem novas informações sobre os casos de desaparecimento de crianças

Cidade da Praia, 10 Mai (Inforpress) – O procurador-geral da República (PGR), Óscar Tavares, disse hoje que não há novas informações sobre os casos de desaparecimento de crianças na Cidade da Praia, pelo que se está a aguardar o “desenvolvimento das investigações”.

Óscar Tavares falava à imprensa, na Cidade da Praia, à margem da conferência sobre os “Mecanismos legais e policiais na prevenção e combate ao crime organizado”, promovida pela Polícia Judiciária, no âmbito do seu 26º aniversário.

“Não há informações novas sobre o desaparecimento de crianças. Aquilo que podemos dizer é que a cooperação judiciária internacional continua a nos dar o apoio. Quando nós tivermos alguma informação nova ela será dada”, disse.

Nas suas declarações, o PGR afirmou achar que “é fundamental” que todas as pessoas que têm responsabilidades na investigação tenham maior empenho e interesse em descobrir os crimes.

“Não há tempo para terminar as investigações”, avisou Óscar Tavares, avançando que estas “podem demorar anos”. “Eu gostaria que elas tivessem resolvidos há muito tempo como todos os outros cidadãos e como os investigadores que estão envolvidos”, acrescentou.

Há mais de um ano que Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), ambos hoje com 10 e 12 anos, respectivamente, se encontram ainda desaparecidos e o país não sabe do paradeiro destes menores, lembra a Inforpress.

Foi a 03 de Fevereiro do ano passado que as duas crianças saíram de casa, em Achada Limpa, onde se encontravam na companhia da avó, para irem comprar açúcar na localidade de Água Funda, na Cidade da Praia, e “ainda não regressaram à casa”.

Em Julho, a avó dos dois meninos desaparecidos revelou, em declarações à Inforpress, que tem recebido “estrangeiros” em casa que estão a ajudar as autoridades cabo-verdianas a desvendar o caso.

Marcelina Lopes, informou também, que esses investigadores estiveram na sua casa a recolher informações juntamente com a Polícia Judiciária (PJ).

a altura, a Inforpress contactou a PJ cabo-verdiana para saber mais informações sobre a colaboração de estrangeiros nessas investigações, mas a assessoria da polícia científica limitou-se a dizer que desconhecia esta informação.

Em Maio do ano passado, o procurador-geral da República, Óscar Tavares, assegurou à imprensa que estavam a trabalhar “arduamente” com a cooperação internacional para recuperar as crianças e devolvê-las às famílias e também punir os responsáveis por esses actos.

Ainda relacionado com o desaparecimento de pessoas em Cabo Verde, encontra-se também pendente o caso da jovem Edine Jandira Robalo Lopes Soares, que deixou a casa em Achada Grande Frente (Praia) alegando que ia levar o bebé para o controlo no PMI (Programa Materno-Infantil), na Fazenda, Cidade da Praia. Mãe e filho nunca mais foram vistos.

Edvânea Gonçalves, uma menina, também faz parte da lista negra das pessoas desaparecidas em Cabo Verde.

Tinha dez anos quando saiu para fazer um mandado, a pedido da mãe, junto de uma vizinha a pouco mais de 100 metros da sua residência, e não voltou.

A 13 Julho do ano passado, a Polícia Judiciária cabo-verdiana (PJ) dava -prossegue a Inforpress – ao país a triste notícia de que as ossadas encontradas em Janeiro, na localidade de Ponta Bicuda, Praia, pertenciam à criança de Eugénio Lima.

Mas há ainda um casal de Santa Catarina dado como desaparecido. Com este caso, eleva-se para sete o número de pessoas – quatro crianças e três adultos – desaparecidas na ilha de Santiago de Cabo Verde, entre final de 2016 e 2017.

O país continua incapaz de descobrir o paradeiro certo desses cidadãos, cujos familiares alimentam, no entanto, a esperança de poder vê-los um dia.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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