PAICV denuncia “ausência de planificação” e “marginalização dos professores” neste arranque de ano lectivo

Cidade da Praia, 15 Set (Inforpress) – O PAICV (oposição) denunciou hoje “ausência de planificação, desorganização e marginalização dos professores” neste arranque de ano lectivo, defendendo que o Ministério da Educação precisa de “mais sabedoria” para enfrentar os desafios.

“Não ouvimos as autoridades responsáveis pelos sectores Educativo e da Saúde a anunciarem apoio aos alunos mais carenciados com máscaras para garantir maior segurança e protecção, o que seria, de todo, conveniente”, disse, em conferência de imprensa, a secretária-geral adjunta do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Ana Paula Moeda.

Prosseguindo, a responsável partidária defendeu que o Ministério da Educação precisa de “mais sabedoria” para enfrentar “com mais humanidade” os desafios da Educação, que são “gigantescos e decisivos” para o “futuro de um povo e para a sustentabilidade de um País”.

Ana Paula Moeda considerou que as notícias que chegam dos actores educativos “não são as mais animadoras” e que contrariam o próprio lema que o ministério escolheu para este ano lectivo, devido ao “descontrole e alguma desorientação” com que se iniciou o mesmo.

A secretária-geral adjunta do PAICV citou a falta de organização e planeamento, bem como de orientações aos docentes e encarregados de educação o que, disse, leva o PAICV a crer que “não há confiança na comunidade educativa” e que a qualidade “estará comprometida”.

Quanto aos factos, Ana Paula Moeda fala em “salas impreparadas”, ainda em obras, com alunos deslocados para outros espaços em alguns concelhos, assim como a alteração do plano curricular “sem envolvimento dos professores”. ´

“Não se deu oportunidade aos docentes de, sequer, se manifestarem e isso é uma conquista que já tinha sido consolidada e que agora cai por terra, a participação”, denunciou.

Ainda nas suas declarações, Ana Paula Moeda afirmou que os professores tomaram conhecimento da supressão de duas disciplinas do 9º ano, Formação Pessoal e Social e Desenvolvimento Económico e Social, e a introdução de novas disciplinas, através dos horários que receberam, disciplinas novas “sem conteúdos, nem manual, nem fichas”.

“Muda-se de programa educativo e até a semana passada os professores não tinham conhecimento, nem tão pouco acesso ao novo programa. Disciplinas antes opcionais, como Tecnologia de Informação e Comunicação e Desenho passam a ser obrigatórias no 9º ano, sem conhecimento dos docentes”, continuou.

Para o PAICV, está-se perante um “autêntico descaso e vazio de informação privilegiada aos docentes”.

“Turmas superlotadas em plena pandemia e contra todas as regras de ensino aprendizagem. Muitas turmas por estas ilhas, com 38 a 40 alunos, num retrocesso gigantesco. Falta de previsão, planeamento e organização, precisa-se de um tratamento sério destas matérias com mais dignidade e respeito pela comunidade educativa”, frisou.

Segundo Ana Paula Moeda, é preciso “humanizar o sistema, zelar pelos legítimos direitos dos professores, centro nevrálgico do sistema, agir para uma Educação com foco nas pessoas, mas é preciso, acima de tudo, consegui-los da forma menos dolorosa possível”.

GSF/AA

Inforpress/Fim

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