PAICV diz que Governo tenta enganar os professores – MpD refuta acusações

Cidade da Praia, 21 Nov (Inforpress) – O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) acusou hoje o Governo de tentar enganar os professores cabo-verdianos, indicando que pouco mais de 2.300 docentes viram a sua situação resolvida, mas o partido no poder refuta as acusações.

A acusação foi feita pelo deputado Julião Varela, depois de ser questionado pelos jornalistas, sobre a greve dos professores, aprazada para esta quarta e quinta-feira, visando paralisar o ensino caso o Governo não resolva especialmente a questão do reajuste salarial.

Entretanto, lembrou que em 2015, o Governo liderado pelo PAICV elaborou e implementou o estatuto da carreira do pessoal docente, atribuiu um aumento salarial de 3% e conseguiu também regularizar todas as pendências dos professores.

“Este Governo congelou tudo e colocou o estatuto na gaveta para não reconhecer nenhum direito à promoção e progressão e o próprio acaba de confessar, através de um documento publicado, que só terão beneficiado nesses oito anos 2.341 professores dos cerca de oito mil”, disse.

Segundo Julião Varela, o problema é que pouco mais de 2.300 beneficiaram ou da reclassificação ou da atribuição de subsídio pela não redução da carga horária e mais nada.

“Estive a ver um exercício feito em que o salário de primeiro-ministro num mês, corresponde a salário de um professor num ano, num determinado nível”, apontou o deputado, que defendeu que é necessário implementar uma nova grelha salarial para corrigir a discrepância existente.

Por seu turno, a deputada Elisabete Évora, do Movimento para a Democracia (MpD), partido que sustenta o Governo, considerou que Cabo Verde é um país democrático e que todos têm o direito de manifestar e fazer greve.

“Para a nossa bancada não é nada estranho, pelo contrário exortamos os professores a sentarem-se à mesa com o Governo e entidade laboral para resolver as questões, mas é algo natural que deve ser encarada da melhor forma possível e procurar resolver”, sublinhou.

Questionado sobre a proposta dos sindicatos que pediam um aumento de 36%, a deputada considera que esse aumento “é impossível” e que neste momento o Governo não tem condições que lhe permita dar respostas.

Na mesma linha avançou que o executivo de Ulisses Correia e Silva está aberto para negociação, e lembrou que desde 2016, altura que assumiu o Governo, tem vindo a trabalhar para resolver as pendências dos professores.

Durante uma conferência de imprensa realizada esta manhã, o Sindicato Nacional dos Professores (Sindep) anunciou que a greve é inevitável, pois o Governo está a “ludibriar e a enganar a classe docente” com promessas e manobras.

Apelou a todos os professores de Santo Antão a Brava para permanecerem unidos, fortes e coesos para vencerem essa luta, assegurando que o Sindep, como organização sindical representativa da classe, está disposto a ir até às últimas consequências, advertindo o Governo de que agora é o momento de agir e cumprir.

“Ainda ontem estive com vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, nós não queremos chantagens, promessas, agora é hora de fazer e não o que vamos fazer, e a classe docente mais do que ninguém está sofrida, desde 2016 a esta parte a classe docente não viu nem sequer um centavo no seu salário e não é aceitável que o Governo tenha coragem para dizer aos professores que não merecem um estatuto especial”, salientou Jorge Cardoso.

Em relação à lista de requalificações do número de professores divulgada pelo Governo nesta segunda-feira, aquele líder sindical adiantou que isso se trata de manobras, pois a requalificação dos anos 2020, 2021 e 2022 precisa ser feita de uma só vez.

Contando com uma adesão de mais de 80% dos professores à greve, o presidente do Sindep também anunciou uma próxima greve para Dezembro, ameaçando com a interrupção total do ensino no País.

“Porque se o Governo não recuar e respeitar os professores vamos paralisar de facto, estamos determinados para isso, de conversa estamos fartos, os professores querem seus problemas resolvidos, principalmente reajuste salarial para já”, garantiu Jorge Cardoso.

AV/CP

Inforpress/Fim

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