OE’2024: UNTC-CS questiona se aumento salarial de mil escudos é uma medida com rosto humano

Cidade da Praia, 06 Nov (Inforpress) – A secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS) perguntou hoje se o aumento salario de mil escudos para os trabalhadores do sector privado é de facto uma medida com rosto humano.

Joaquina Almeida, que falava durante a conferência sobre “Crescimento Económico, Empreendedorismo e Emprego no Orçamento do Estado (OE) para 2024”, promovida hoje pelo Governo, afirmou que o aumento nesta proporção “constitui uma ilusão monetária,” já que não permite a reposição do poder de compra num contexto de inflação de 5,3.

“A mesma preocupação se impõe com os trabalhadores da administração pública e para os pensionistas, que passaram de 15.866 escudos para 16.000 escudos” acrescentou, sublinhando que esses aumentos que se propõe “não se traduzem em ganhos de bem-estar”.

A sindicalista salientou que a legitimidade deste questionamento é “indiscutível” num contexto em que o Governo garanta aos administradores e governador do BCV um aumento salarial de 17 % a 18 % e fixa no quadro da proposta do Orçamento do Estado de 2024 aumentos salariais para funcionários públicos de 2,8 %, garantindo aos pensionistas um aumento que varia entre 1% a 3 %.

“A UNTC-CS apresentou uma proposta de aumento salarial de 7 % a 10 %. Foi recusada pelo Governo com argumentos de que estamos a viver momentos de crise”, disse, instando o Governo a encontrar soluções para “amenizar o sofrimento” dos trabalhadores de Cabo Verde.

Segundo Joaquina Almeida, há uma “insatisfação generalizada”, não só por causa dos salários, mas também pela precariedade do emprego na administração pública, que tem prejudicado os funcionários públicos na medida em que não lhes é possível conceber nenhum projeto futuro devido à incerteza do rendimento público futuro.

“E é por isso que encorajamos o Governo a ir adiante com a proposta de integração de todos os funcionários com situação precária na função pública. Encorajamos ainda o Governo que tome medidas para que no futuro não haja prestadores de serviços precários na administração central e local”, disse.

Por seu lado, o presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), José Manuel Vaz, lembrou que a sua central sindical deu o seu aval favorável e positivo ao OE’2024, na certeza de que a situação económica, o empreendedorismo, os empregos conheçam melhorias significativas em prol dos trabalhadores e das famílias cabo-verdianas.

José Manuel Vaz realçou que a situação social e económica do país não é nada fácil, devido às sucessivas crises.

Contudo, adiantou que apesar da “situação difícil” o crescimento económico do país tem ganhando terreno com os parceiros sociais, nomeadamente a CCSL e os seus sindicatos filiados, a conseguirem ganhos com reposição paulatina do poder de compra dos trabalhadores.

“Para o ano de 2024, o Governo e os parceiros sociais rubricaram um acordo de reajustamento salarial na ordem dos 3 %, para o regime geral da Administração Pública, incluindo os reformados do regime do INPS e também da Administração Pública”, citou, recordando aos aumentos realizados desde 2017.

Contudo, apelou ao executivo a dialogar e a negociar com os respectivos sindicatos representativos dos funcionários do regime especial, nomeadamente professores, médicos e enfermeiros, polícias, juízes e magistrados, no sentido de conseguir a actualização salarial dessas classes, cujos salários foram aumentados “há mais de cinco anos”.

“A CCSL e os sindicatos representativos dessas classes profissionais atrás referidas, apelam ao governo a abertura para o diálogo e negociações com os respectivos sindicatos sobre estas reivindicações em pauta e que poderá passar por um acordo geral em regime faseado de 3 a 5 anos”, finalizou José Manuel Vaz.

MJB/AA

Inforpress/Fim

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