Nova representante da FAO em Cabo Verde defende maiores investimentos na educação florestal

Cidade da Praia, 27 Mar (Inforpress) – A nova representante da Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Cabo Verde, Ana Touza, defendeu hoje maiores investimentos na educação florestal, salientando que desta forma pode-se transformar o mundo num lugar melhor para viver.

Aquela responsável falava no acto de abertura da IX Jornada Florestal da Macaronésia a decorrer na Cidade Velha tendo como lema “por uma floresta mais resiliente às mudanças climáticas”, com os olhos postos na região da Macaronésia integrada por Cabo Verde, Canárias, Açores e Madeira.

“Ao investir na educação florestal em todos os níveis, Cabo Verde e a restante Macaronésia, podem ajudar a garantir mais colaboração entre cientistas, formuladores de políticas, silvicultores e comunidades locais que trabalham para deter a desflorestação e para restaurar paisagens degradadas, ajudando a alcançar muitos dos ODS”, disse Ana Touza.

Salientou ainda que nunca se é demasiado jovem para começar a aprender sobre as árvores e incentivou as gerações mais idosas a ajudarem as crianças a estabelecer um contacto com a natureza.

“Desta forma contribuem para criar gerações futuras conscientes dos benefícios das florestas, saindo das salas de aula, passeando de forma guiada por florestas e parques urbanos, aprendendo sobre as árvores que crescem em cidades, nas comunidades e nas montanhas”, sustentou.

Ainda na mesma linha de ideia, Ana Touza salientou a necessidade de combinar o conhecimento tradicional com conhecimento moderno, no sentido de garantir uma gestão mais sustentável e mais inteligente das florestas.

“Tanto o conhecimento moderno quanto o tradicional são essenciais para manter florestas saudáveis. Embora os silvicultores conheçam e compreendam bem a natureza, são precisas novas tecnologias para garantir que as nossas florestas sejam seguidas e geridas de forma sustentável, e mais inteligente”, acrescentou.

Sobre a Jornada Florestal da Macaronésia a decorrer na Cidade Velha disse esperar que a mesma sirva para chamar a atenção de todos para a importância de conservar, gerir e cuidar das florestas no mundo, em geral, na região do Atlântico e em Cabo Verde, em particular.

Ana Touza frisou que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura associou-se ao evento graças ao REFLOR-CV, um projecto florestal “bastante ambicioso” financiado pela União Europeia e executado pela FAO, e que pretende reorientar o cenário florestal cabo-verdiano, pondo tónica na gestão sustentável por parte de quem dela vive.

Na sua perspectiva o principal objectivo deve ser agora aumentar a resiliência e a capacidade de adaptação das florestas e do sector florestal, para enfrentar os riscos adicionais colocados pelas alterações climáticas na desertificação e degradação da terra em Cabo Verde a nível nacional.

“Importa agora promover uma gestão participada para contrariar a desertificação induzida pelas alterações climáticas, reforçando a resiliência das comunidades que em Santiago, Fogo e Boa Vista, mais dependem da floresta”, disse.

A IX jornada Florestal da Macaronésia reúne técnicos, cientistas e decisores políticos e visa dar continuidade aos esforços de desenvolvimento de uma estratégia insular comum, que permita a sustentabilidade dos recursos florestais e o seu contributo para o desenvolvimento económico e ambiental e social da região da Macaronésia.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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