Música: João Eugénio leva à São Nicolau importância da SCM na vanguarda dos direitos autorais

Cidade da Praia, 12 Mai (Inforpress) – O cantor e intérprete de São Nicolau João Eugénio sensibiliza os músicos da “ilha dos dragoeiros” enquanto transmissor da mensagem sobre os direitos autorais e conexos da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) nesta região.

Membro da SCM, saída na sua última assembleia-geral, este que se pontifica como um dos intérpretes de referência na ilha que viu nascer o maestro e multi-instrumentista Paulino Vieira, afirmou que apesar “de tardia, o reconhecimento pelos direitos autorais e conexos no arquipélago chegou no momento certo”.

Em entrevista à Inforpress João Eugénio disse que deposita todos os trunfos na SCM, enquanto organização que se vanguarda na defesa dos autores, para que a justiça pelo reconhecimento nos criadores da música tradicional cabo-verdiana possa ser devidamente dignificada, não só a nível nacional, mas também no campo internacional.

“Penso que agora estão criadas as condições para que os nossos compositores, figuras que marcam a música tradicional cabo-verdiana, venham a ser devidamente recompensados por tudo que têm vindo a fazer para a elevação da cultura destas ilhas, particularmente no campo musical”, elucidou o cantor da Ribeira Brava.

Filho de São Nicolau, terra que emprestou a Cabo Verde uma das suas musicas mais tocadas no mundo inteiro, a morna “Sodade” eternizada pela Cesária Évora, João Eugénio disse que ao longo da sua carreira já teve grandes oportunidades na música, quer nacional quer internacional, ainda que registe um único CD na discografia cabo-verdiana.

O álbum “Encontro Melodia” gravado em 2010, sob a direcção musical de Kim Alves, contém 10 temas, oito dos quais assinados pelo malogrado compositor e músico Tony Marques, uma figura de São Nicolau, falecido em 2001.

Com várias participações em festivais internacionais e nacionais, João Eugénio almeja fechar o ciclo no Festival da Gamboa, o único palco onde reclama ainda não ter actuado em Cabo Verde, pelo que não cansa de elogiar a Deus pelo dom que lhe deu para interpretar a música cabo-verdiana pelos quatro cantos do mundo.

É que a nível internacional já actou em palcos de países como Holanda, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo, entre vários outros, pelo que considera que a sua larga experiência permitiu-lhe ter na bagagem qualidades e temáticas para edição de um novo trabalho discográfico, na forja

Sublinhou que tem já feito a recolha e selecção de músicas concedidas por compositores, essencialmente oriundos de São Nicolau, e mostra-se convicto que o reconhecimento pelos direitos autorais catapulta os compositores, enquanto actor principal para a construção de uma melodia.

Doravante, disse, está a montar a sua engenharia financeira para custear as despesas para a confecção de uma nova obra discográfica, uma vez que tem vindo a ter incentivos de pessoas amigas, interessadas na sua projecção, com um novo registo.

Conhecido como acérrimo defensor da morna, dada a forma como interpreta este género, apelidado como a rainha da música tradicional cabo-verdiana, João Eugénio disse que não tem a mínima dúvida de que a morna vai ser oficializada em Novembro pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade”

SR/CP

Inforpress/Fim

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