Música: Escola Pentagrama vai lançar “Curso de Mornas” no próximo ano lectivo

Cidade da Praia, 07 Abr. (Inforpress) – A escola de iniciação musical “Pentagrama” prepara-se para lançar o “Curso de Mornas” no próximo ano lectivo, com o seu mentor a regozijar-se como o garante da dignidade de criadores de música cabo-verdiana, pela Sociedade Cabo-verdiana de Música.

Fundado pelo músico e compositor Tó Tavares e consolidado em 1991 após a sua implantação em 1990, a escola Pentagrama reivindica o ensino musical nas escolas como forma de projectar a música e os músicos em Cabo Verde no panorama internacional e passa, neste momento, por um projecto, visando a sua transformação numa academia de música, voltada para a melodia cabo-verdiana.

Músico e compositor de mérito reconhecido, Tó Tavares é professor de música e fundador do Pentagrama, escola de música que tem dado ao país um número significativo de artistas da nova geração.

Membro da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM), considera que esta organização tem vindo, efectivamente, a contribuir para garantir a dignidade de criadores de música de Cabo Verde, pelo que considera tratar-se de um momento histórico para os compositores e músicos cabo-verdianos.

Isto por justificar que, independentemente das contribuições financeiras, os compositores cabo-verdianos sempre têm contribuído, desde os primórdios da fundação do país, para a elevação da cultura e o desenvolvimento do país.

Tó Tavares enalteceu o trabalho levado a cabo pela SCM na reivindicação e preservação dos criadores, com reflexos claros junto da população cabo-verdiana, alegando que “todos já reconhecem a necessidade de devolver aos artistas aquilo que os músicos e compositores têm dado à música”.

Tó Tavares reclama o facto de os criadores terem sido ao longo dos anos relegados para o segundo plano, em detrimento dos intérpretes com a justificação que isto se deve à falta de contribuição dos músicos e compositores, no sentido de reivindicar e de apelar os seus direitos.

Desabafou à Inforpress em como os músicos e compositores pertencem a uma classe que “praticamente tem dificuldades em organizar-se”, elucidando que se afiguram como os únicos profissionais que precisam de um outro profissional para gerir a sua agenda e todo o seu trabalho”, porque a parte material fica relegada para um segundo plano.

“Por esta razão houve essa grande dificuldade da organização da classe de músicos e compositores para que possamos, de facto, unidos, reivindicar aquilo que é nosso, que por acaso nos deixa muita falta. Isto tem a ver com a nossa sobrevivência”, exemplifica este professor de música que estranha que muitas vezes tem sido indagado pelos alunos quanto à sua profissão.

Isto para esclarecer que “para muito boa gente, ser professor de música em Cabo Verde, ainda não é profissão”, quando se sabe que a “música faz parte de Cabo Verde em toda a sua formação e hoje”, afirmando mesmo que hoje em dia existem comércios que praticamente não funcionam se não houvesse a música.

Recordou com “certa nostalgia e constrangimento de grandes compositores que deixaram herança extraordinárias desde o tempo das músicas antigas” como Eugénio Tavares, B. Leza e gentes da sua contemporaneidade, extensiva à geração de Manel d’Novas que, explicou, “recebeu alguma coisa, mas teve que recorrer-se à sociedade de gestão colectiva lá fora, e o Luís Morais”.

Tó Tavares alerta que “os artistas já não conseguem sobreviver só com palmas”, razão pela qual entende que valeu e valerá sempre a pena o reconhecimento pelos direitos autorais e promete, na qualidade de cidadão do mundo, “trabalhar de cabeça, tronco e membro” para travar essa luta.

SR/ZS

Inforpress/Fim

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