Moradores da Achadinha indignados com “morosidade da justiça” no processo de uma “construção ilegal” no bairro

Cidade da Praia, 07 Jun (Inforpress) – Os moradores da Achadinha estão indignados com a “morosidade” da justiça na intervenção de “um processo de construção ilegal” no bairro, alegando que a obra não representa o projecto aprovado inicialmente pela Câmara Municipal da Praia.

A denuncia foi feita à Inforpress por um dos moradores e porta-voz do bairro da Achadinha, Carlos Jorge Soares, mais conhecido por “Djodje”, dando conta de que já deram entrada com uma providencia cautelar no tribunal, “processo que está sob alçada do juiz Ary Silva há mais de duas semanas, mas sem nenhuma resposta”.

Começou por explicar que um espaço, situado na Avenida Cidade Lisboa, foi dado a um indivíduo para concessão, no valor de seis mil contos, para construção de uma cave, uma esplanada e uma praça.

Inicialmente, o lugar era ocupado por uma mulher que, ali fazia o seu negócio com uma estrutura de quiosque, mas que foi retirada do local para ser atribuído ao referido homem, a quem pertence a concessão.

Inclusive, avançou Djodje, a saída da mulher “foi à força”, tendo o envolvimento da polícia e de guardas municipais.

Com a atribuição da concessão, a Câmara Municipal da Praia (CMP) aprovou um projecto que envolvia as três estruturas referidas, mas que com o passar do tempo, segundo ele, houve alterações no projecto que “vão contra as normas de construção aprovadas”.

“Vieram modificar o projecto e fizeram uma esplanada em toda a extensão do terreno, desrespeitando os regulamentos de construção”, criticou, sublinhando que a câmara deveria ser a primeira a respeitar tais regulamentos.

Conforme referiu o porta-voz dos moradores, na estrutura pode-se notar que a construção vai levar mais pisos, em que já foi também montado uma armação com elevador.

Além disso, precisou, o próprio vereador de Urbanismo, Rafael Fernandes, numa entrevista à comunicação social, garantiu que no local só seria feita uma praça e uma esplanada, conforme dita o desenho arquitectónico.

Djodje revelou que o desejo da população local era ter uma praça com espaços infantis, Internet para utilizadores, o que beneficiaria a todos.

Entretanto, ajuntou, a CMP estará a beneficiar uma única pessoa, “com quase 90 anos de idade e com um prédio ao lado da obra, onde funcionam os serviços da edilidade”.

“Na nossa opinião a câmara vendeu um terreno na Avenida Cidade Lisboa por seis mil contos, de forma dissimulada de uma concessão, para fazer algo público”, sustentou.

Nesta linha pede “intervenção urgente das autoridades” para apurar o que considera ter sido uma “jogada obscura”.

Conclui lembrado que a população elegeu os dirigentes da câmara para gerir a coisa pública, mas que neste caso está a ser mal gerida.

A Inforpress contactou o vereador Rafael Fernandes para reagir, mas este informou que o caso já está no tribunal, por isso a edilidade vai deixar que o processo percorra todos os “trâmites legais e normais” para se pronunciar.

HR/CP

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos