Mo Ibrahim considera que África tem de começar a “falar seriamente” sobre planeamento familiar

Abidjan, 07 Abr (Inforpress) – O empresário e filantropo Mo Ibrahim defendeu esta sábado, em Abidjan, que África tem de “falar seriamente” sobre planeamento familiar porque os recursos são insuficientes para gerir “o tsunami de juventude” que representa o crescimento demográfico do continente.

“Devemos saber o que fazer com este tsunami de juventude. Porque é que não pensamos em debater o planeamento familiar”, questionou o também patrono da Fundação Mo Ibrahim.

Mo Ibrahim falava hoje durante a sessão inicial do Fórum Mo Ibrahim, que este ano decorre na Costa do Marfim e aborda a juventude, o emprego e as migrações africanas.

“Não podemos continuar nesta espiral de criar milhões de pessoas que chegam ao mercado de trabalho e não têm emprego. Devemos falar seriamente sobre isto”, defendeu, lembrando que este é um debate que envolve questões religiosas, sociais e de mentalidade.

Para Mo Ibrahim, prevalece a ideia de que são precisos mais filhos para tomar conta dos pais quando estes forem velhos, mas o empresário defende que se as famílias tiverem recursos para providenciar educação para dois filhos e eles forem bem-sucedidos, assumirão essa função.

Por outro lado, sustentou, ter seis ou sete filhos sem recursos para lhes proporcionar educação aumenta o risco de não terem trabalho, ficarem dependentes e serem aliciados por organizações terroristas como o Boko Haram.

“Não temos tempo nem recursos para gerir tantas pessoas”, sublinhou.

Mo Ibrahim contestou, por outro lado, a “perceção de que os africanos estão a encher a Europa”, sublinhando que os migrantes provenientes de África representam apenas 14% das migrações mundiais.

“Se olharmos para os números, vemos que não é o caso. Há mais europeus e asiáticos a migrar do que africanos”, disse, sublinhando a importância de traçar um retrato verdadeiro destas migrações.

No mesmo sentido, a Prémio Nobel da Paz e antiga presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, rejeitou a ideia de “uma crise de migrações” e defendeu uma “aliança entre a Europa e África” para criar “migrações legais e seguras”.

“A maior parte dos que vão para o estrangeiro fazem-no de maneira legal, levam capitais e melhoram as economias dos países de acolhimento. Recentemente houve muitos movimentos de jovens africanos e isso criou medo em relação a este movimento”, disse.

Stefano Manservisi, director para o desenvolvimento Internacional e a Cooperação da Comissão Europeia, sustentou, por seu lado, que a única crise é a das “pessoas que morrem nas águas do Mediterrâneo”.

Para Manservisi, não se trata de conter os migrantes em África ou na Europa, mas gerir este movimento em conjunto, através de uma política de mobilidade entre os dois continentes.

Inforpress/Lusa/Fim

 

 

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