Ministra da Justiça advoga cobertura responsável de casos de crimes sexuais contra crianças sem revitimização dos envolvidos

Cidade da Praia, 23 Nov (Inforpress) – A ministra da Justiça defendeu hoje que a cobertura responsável de casos de crimes sexuais contra crianças e adolescentes implica a não revitimização dos envolvidos, seja por meio da exposição excessiva ou pela exploração sensacionalista do trauma vivido.

Estas declarações foram feitas ao presidir à abertura da formação sobre “Actuação da Medicina Legal em Cabo Verde, com ênfase nos crimes contra crianças e adolescentes: o impacto da comunicação na sociedade”, promovida pelo Ministério da Justiça e destinada aos jornalistas.

Na ocasião, Joana Rosa considerou que os crimes sexuais contra crianças e adolescentes representam uma “dolorosa” realidade, que exige não apenas uma resposta legal, mas também um compromisso ético e social.

Neste contexto, afirmou, a comunicação social desempenha um papel vital sendo uma “poderosa” ferramenta para a consciencialização, prevenção e apoio às vítimas, através da disseminação de informações precisas e compreensíveis sobre casos médico-legais.

“Os profissionais de comunicação, jornalistas e especialistas em relações públicas têm a responsabilidade de traduzir os detalhes técnicos e científicos desses casos de uma maneira acessível ao público, sem comprometer a integridade das informações”, reconheceu.

Para tal, defendeu que é preciso que estejam dotados de conhecimentos relacionados a actuação da medicina legal em contexto de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, de modo que a transmissão dos acontecimentos seja feita da melhor forma possível.

Mas, alertou, a cobertura responsável de casos de crimes sexuais contra crianças implica a não revitimização dos envolvidos, seja por meio da exposição excessiva ou pela exploração sensacionalista do trauma vivido.

“A comunicação é uma aliada poderosa na luta contra os crimes sexuais contra as crianças. No entanto, enfrenta o desafio crucial de equilibrar a necessidade de informação pública com a protecção da privacidade das vítimas. A cobertura responsável de casos de crimes sexuais contra crianças e adolescentes implica a não revitimização dos envolvidos, e deve ser feita da melhor forma possível”, reforçou.

Conforme disse ainda, somente através de uma abordagem cuidadosa e informada, a comunicação social pode verdadeiramente contribuir para a protecção das vítimas, enquanto trabalha activamente para criar uma sociedade mais consciente e resistente a esses crimes.

A ministra da Justiça aproveitou ainda para realçar o papel crucial do Instituto da Medicina Legal na busca pela verdade e pela justiça em situações que envolvem eventos traumáticos, crimes, e disputas legais, uma área que combina conhecimentos médicos com a aplicação da lei, contribuindo “indiscutivelmente” para esclarecer circunstâncias obscuras e fornecer respostas a perguntas essenciais.

Por sua vez, a responsável do escritório das Nações Unidas em Cabo Verde, Salete Bettencourt, reconheceu que este instituto veio reforçar o sistema de justiça em Cabo Verde, passando a dispor de um mecanismo mais seguro e eficaz de recolha e protecção de provas contribuindo desta forma para uma justiça mais célere e eficiente.

Por outro lado, enalteceu o contributo “incalculável” do jornalismo cabo-verdiano na promoção e respeito pelos direitos das crianças em Cabo Verde, sustentado que com esta formação passarão a dispor de mais conhecimentos sobre a medicina legal, com vista a uma comunicação mais assertiva, contínua e mais objectiva em relação aos acontecimentos.

ET/ZS

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos