Maio: Presidente da Associação de Guineenses destaca “boa integração” apesar de constrangimentos ligados à documentação

Cidade da Praia, 25 Set (Inforpress) – O presidente da Associação de Guineenses destacou a “boa integração” da comunidade na ilha do Maio, mas lamentou os “sérios constrangimentos e morosidade” que a mesma enfrenta há vários anos para conseguir obter residência ou nacionalidade cabo-verdiana.

Em declarações à Inforpress, Renato Sousa avançou que neste momento estão a residir na ilha do Maio 18 cidadãos guineenses.

“Tenho vários colegas que estão aqui que não tem documentação e que enfrentam vários constrangimentos quando devem providenciar todos os documentos para solicitar a renovação da residência ou quando é a primeira”, concretizou a mesma fonte.

Ademais, prosseguiu, têm que deixar o trabalho no Maio e viajar para a Praia, e que quando lá estão “há muita burocracia”, situação que se repete “por vários anos” e acabam por ficar “sem documento”.

Uma situação que conforme avançou tem afectado os guineenses que residem nas outras ilhas e é o “maior constrangimento” que a comunidade do seu país enfrenta em Cabo Verde, apelando a uma “maior celeridade” no tratamento dos processos com vista a promover uma “melhor integração” dos imigrantes.

“Acho que tem de haver mais respeito para com a comunidade de imigrantes em Cabo Verde porque temos pessoas em situações ilegais mas que tem dado o seu contributo no desenvolvimento de Cabo Verde porque temos guineenses a trabalhar em diferentes áreas”, frisou.

A viver 19 anos em Cabo Verde e nove na ilha do Maio, Renato Sousa considerou que o município está a dar “passos visíveis” rumo ao desenvolvimento, apontando, entretanto, as questões ligadas aos transportes marítimos e aéreos como “principais problemas” que têm prejudicado o seu crescimento.

Defendeu, por outro lado, uma maior aposta na área da saúde, isto porque, sustentou, a ilha possui um centro de saúde moderno, mas carece ainda de mais profissionais de saúde e equipamentos para assim ter a capacidade de resposta.

Os guineenses constituem a maior comunidade estrangeira residente em Cabo Verde.

No passado dia 14, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, anunciou, ao terminar uma visita de dois dias a Guiné-Bissau, que os dois governos assinam nos próximos meses um acordo que, entre outros aspectos, vai incluir mecanismos que facilitem a permanência dos seus cidadãos nos respectivos países.

A medida é uma resposta directa a demandas da comunidade guineense radicada em Cabo Verde, que há muito vem pedindo agilidade na atribuição do estatuto de residente permanente e a solução de vários problemas que a afectam no arquipélago.

CM/AA

Inforpress/Fim

Facebook
Twitter
  • Galeria de Fotos