Investigadora considera que o universo dos autores de língua portuguesa é rico e deve ser partilhada

Cidade da Praia, 01 Jul (Inforpress) – A investigadora da cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa da Uni-CV, Maria de Fátima Fernandes, considerou hoje que o universo onde integra os autores dos países de língua portuguesa é rico e deve ser partilhado.

A constatação foi feita hoje a tarde na Praia, momentos antes de participar na mesa-redonda intitulada “Percursos Literários em Língua Portuguesa – Os Grandes Textos”, promovida pelo Camões Instituto da Cooperação e da Língua, em parceria com cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

Explicou que durante a sua intervenção irá apresentar algumas das razões que podem explicar a colocação de alguns autores no cano literário, ou seja aqueles que merecem ser lidos em várias épocas e por várias gerações, uma ideia daqueles que poderiam ser autores de referência para o conhecimento das sociedades, realidades e demonstrar como é rico esse universo onde se integram os autores dos países onde se fala a língua portuguesa desde o século XII até a actualidade.

Para Maria de Fátima Fernandes que é também professora universitária, um grande texto é aquele que tem um valor para a educação, para leitura, para formação do leitor e pode ser aproveitado em diferentes contextos e em situações diferenciadas mais complementares como numa biblioteca pública, individual ou de uma escola, sendo que a mesma não deveria faltar na formação de qual quer cidadão dos países de língua portuguesa.

No seu entender, as grandes obras podem estar escritas em géneros diferenciados desde a narrativa, lírica, poesia e dramático.

Considerou que a literatura cabo-verdiana é jovem sendo que tem registrado uma produção literária “bastante rica” no sentido de quantidade e diversa quanto as temáticas, orientações estéticas, colocação dos textos em determinados períodos literários.

Para a investigadora, Eugénio Tavares, Guilherme Dantas, Januário Leite e outros autores da sua geração são os iniciadores da literária cabo-verdiana, que defendeu que as gerações mentoras da claridade merecem uma atenção especial na catalogação dos clássicos sendo que tem de estar disponíveis para a leitura nos países de língua portuguesa.

Por outro lado, disse que Corsino Fortes, João Vario, Orlanda Amarílis, Daniel Filipe, Filinto Elísio, Daniel Spínola, Vera Duarte, Dina Salústio, Fátima Bettencourt são escritores da geração que antecedeu a independência e pós-independência e estão consagrados em termos de reconhecimento público e de estudos.

Por seu turno, Pedro Mexia, escritor português que participa também no evento, disse que a literatura continua forte no espaço lusófono e não só, mas que nos dias de hoje não há uma evidência como havia há décadas onde as novas gerações tinham um grande interesse pela literatura, cultura literária e capacidade de ler um texto literário.

“Tudo isso tem a ver com os tempos, com as novas tecnologias e também com as escolas que até certa altura em vez de contrariar essa tendência, decidiu remar para o mesmo lado e tirar os escritores dos curriculares escolares por acharem que são autores muitos difíceis” considerou o escritor para quem as escolas não devem desistir da literatura e que é preciso ter educação para preparar as pessoas que queiram ler, ter livros disponíveis a preços acessíveis, bem feitos e distribuídos.

AV

Inforpress/Fim

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