Inclusão Sócio-Educativa: Profissionais da CPLP reuniram-se com professores e técnicos para transmitir experiências no sector

Cidade da Praia, 07 Jun (Inforpress) – Os profissionais da área de Inclusão Sócio-Educativa de pessoas com deficiência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniram-se, hoje, com professores e técnicos do sector para transmitirem experiência em e áreas que abrangem pessoas com deficiência.

Em declarações à Inforpress, para falar sobre a mesa redonda que se organizou em três escolas secundarias da Cidade da Praia , para abordar temas ligados à inclusão das pessoas com deficiência, a presidente da ANAPEE-CV, Rosaria Almeida Vieira, adiantou tratar-se de um espaço que serve para que os profissionais esclarecerem as dúvidas e trocaram experiências quanto ao trabalho que estão sendo realizados a nível de cada país e da CPLP, no geral.

No Liceu Domingos Ramos, a pedagoga e professora do Instituto dos Cegos da Baia (Brasil), Patrícia Silva, que dissertou sobre “A Inclusão de Alunos com Baixa Visão”, demonstrou que até nos países com maior desenvolvimento sobre a matéria ainda persiste muita “dificuldade”.

Isso porque, realçou em declarações à Inforpress, as pessoas ainda têm a ideia de que quem “enxerga pouco” não necessita de adaptações para uma maior inclusão no sistema educativa.

“Pelo contrário, estes tipos de pessoas necessitam de adaptações para que saibam o tamanho da fonte da letra que enxergam melhor, se precisam de uma letra com tinta mais forte ou se necessitam de um caderno com uma linha mais escurecida e ampliada. São essas coisas que são precisas para que possamos atender melhor um aluno de baixa visão no sistema do ensino”, disse.

Porém, para uma melhor integração desses tipos de alunos no sistema escolar, Patrícia Silva, apela a uma maior parceria entre a Associação dos Cegos de Cabo Verde e o Ministério da Educação, para que a escola dita “regular” possa atender melhor os alunos com baixa visão.

Na Escola Secundária Pedro Gomes, os profissionais da CPLP que lidam com a inclusão social, na sua conversa com professores e técnicos, falaram sobre as “Competências Didácticas dos professores no domínio da Língua Gestual” e as “Dificuldades na Aprendizagem do aluno com deficiência auditiva”.

Neste domínio, Cláudia Barros, directora da Escola de Ensino Especial de Benguela (Angola), defendeu tratar-se de um tema “bastante actual”, visto que tem preocupado gestores e professores a nível mundial.

“A deficiência auditiva tem sido vista de forma diferente, pois, para ensinar crianças com este tipo de problema é preciso formar e dotar os professores de capacidade para interpretar e ensinar a língua gestual”, afirmou.

No que se refere à escola inclusiva, parte-se do princípio de que todos os alunos devem ter igualdade de oportunidades e devem aprender juntos, independente de suas dificuldades ou diferenças, realçou.

No entanto, ajuntou que para que isso aconteça, as escolas devem adequar-se a todos os alunos, adoptando uma pedagogia que leve em consideração suas características individuais, auxiliando em seu processo de aprendizagem e proporcionando acções que favoreçam interacções sociais, com práticas inclusivas.

Neste acaso, exemplificou com a existência de um alfabético nacional da língua gestual e dicionário, um instrumento que, a seu ver, proporciona maior intercâmbio entre estudantes e professores.

A Escola Mira Flores, no Plamarejo, recebeu a mesa redonda sobre os “Desafios e Possibilidades para Aprendizagem do Aluno com Autismo”, onde a especialista evidenciou a experiência do Brasil e realçou a necessidade de se formar e capacitar a equipe pedagógica em todas as etapas, níveis e modalidades de ensino para poder incluir um estudante com autismo.

Para concluir o trabalho do dia, Rosaria Almeida Vieira defendeu que a Educação Especial deve ser um instrumento que define inclusão como o “acto que deve incluir pessoas portadoras de necessidades especiais na plena participação de todo o processo educacional, laboral, de lazer, e outros”.

O 1º Intercâmbio Inclusivo dos Profissionais da Área de Inclusão Sócio-Educativa de Pessoas com Deficiência entre as Comunidades de Países de Língua Portuguesa (CPLP) culmina sábado, com a apresentação pública da Rede de Profissionais das Áreas de Inclusão Sócio – educativa das pessoas com deficiência na CPLP.

PC/JMV
Inforpress/Fim

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