Ilha do Sal: Músicos defendem criação de associação mas admitem falta de união de classe (c/áudio)

Espargos, 03 Abr (Inforpress) – A maioria dos músicos, na ilha do Sal, abordados pela Inforpress, defende a criação de uma associação que os representa e protege, mas admite falta de união de classe para alcançar o desiderato.

Na sequência da pandemia de covid-19 que assola o mundo e Cabo Verde não ficou de fora, os músicos na ilha turística que hoje se veem de mãos atadas já que “desempregados”, chamam atenção à consciência da classe nesse sentido.

Dany Pires, por exemplo, conta em declarações à Inforpress, que os músicos “nunca” conseguiram unir porque cada um puxa a brasa à sua sardinha.

“Já fizemos muitas tentativas para a formação da associação de músicos, mas sem sucesso. É um problema, mas havemos de chegar lá, quanto mais não seja, se todos e cada um analisar a situação que esta pandemia colocou a todos. Isso é uma lição de vida”, desabafou.

Esperando que tudo volte à normalidade “o mais rapidamente possível”, Dany Pires apela à sensibilidade do Governo no sentido da atribuição de um subsídio aos músicos, que estão inscritos, e descontam para o efeito.

“Muitos músicos, profissionais da música, estão registados no cartório, tipo uma pequena empresa, e há anos que vimos efectuando descontos mensalmente. Daí que, agora sem onde virar, apelamos ao Ministério da Cultura, um pequeno subsídio mensal, até que a situação se normalize, porque não temos outro meio de subsistência”, atirou, mais uma vez.

Ulisses Santos é outro músico que está apreensivo quanto ao futuro, embora tenha um contrato com um dos hotéis na cidade de Santa Maria, onde actua há vários anos.

Para ele, a Associação de Músicos devia ter sido criada há muito tempo, porque iniciativas “não faltaram”, destacando o empenho do músico Antero Simas, para a sua concretização.

“Uma representação dos músicos faz muita falta à classe. Mas há que tomar essa consciência, caso contrário… Antero Simas tentou por várias vezes, mas não conseguiu, por falta dessa união de classe, pena”, exteriorizou o músico, que conforme disse, vai “aguentando a maré”.

Encontrando-se num beco sem saída, os profissionais da música, local, que trabalham ligados a hotéis – agora fechados -, pedem ponderação do Governo no sentido da atribuição de um subsídio para poderem enfrentar esta crise, sem muitos sobressaltos.

Entretanto, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, avançou que está a ser criado um conjunto de programas de incentivos directos aos artistas e aos criadores, mas com critérios “bem definidos”, nomeadamente que comprovem que vivem exclusivamente dos seus labores artísticos e que têm estado a contribuir para a segurança social, com pagamento dos impostos.

“Nós vamos apoiar, primeiramente, os artistas que, de facto, têm a sua situação formalizada junto das Finanças”, disse, ajuntado que só serão apoiados os artistas residentes em Cabo Verde.

SC/CP

Inforpress/Fim

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