Ilha do Sal: Enfermeiros promovem marcha contra femicídios ocorridos ultimamente no país

Espargos, 08 Jun (Inforpress) – A classe de enfermeiros do Hospital do Sal realizou hoje uma marcha em protesto aos “inúmeros” casos de femicídio ocorridos ultimamente no país, no âmbito da celebração do Dia Internacional do Enfermeiro, assinalado a 12 de Maio.

Sob o lema “Quem ama não mata”, a equipa de enfermeiros do Hospital Ramiro Alves Figueira fez uma passeata pelas ruas dos Espargos, com concentração à frente do Comando da Polícia Nacional (PN), seguindo-se para Hortelã, Chã de Matias, até chegar à Delegacia de Saúde, chamando à atenção e reflexão das pessoas sobre a problemática.

Considerando os contornos da Violência Baseada no Género, com enfoque no femenicídio, a enfermeira Cristina Maria Santos, em representação dos colegas, disse que essa marcha teve como propósito chamar a atenção no sentido de sensibilizar a população para os “inúmeros e preocupantes casos abomináveis” de femenicídio registados tanto na ilha, como a nível no país.

“Então, realizamos essa passeata como um grito de revolta para sensibilizar a população a dizer um basta ao problema, um stop à violência, a não ficar calada, a denunciar casos de VBG, porque quem ama não mata”, exteriorizou a enfermeira Cristina.

Nessa qualidade, questionada o que sente ao deparar-se com uma vítima, supostamente, de VBG para triagem ou tratamento, conta que, na maior parte das vezes, “infelizmente”, escondem o facto, por vergonha ou medo.

“Como não temos ainda um sistema bem definido, avançado, muitas vezes sentimos impotentes perante as situações. Mas orientamos as vítimas, encaminhamo-las para as autoridades competentes. Mas muitas vezes escondem, não denunciam por medo, deixando entalado o seu grito de socorro”, disse.

Segundo Cristina Santos, o perfil das vítimas, na sua maioria, são mulheres dependentes financeiramente do homem, que por sua vez, sentindo-se na posição de superioridade, disse, acaba por sentir-se, dono dela.

“Enquanto a mulher vai se submetendo ao marido ou companheiro. Machismo, falta de autonomia financeira, social da mulher, também problema cultural, é que tem provocado a situação. Mas já é momento de todos dizerem um basta à problemática, denunciando”, instigou.

“Muitas vezes quando chegam ao sistema de saúde não se identificam como uma vítima de VBG, e aí, a nós enfermeiros, fica-nos difícil provar que se trata de um caso de violência baseada no género. Há que mudar de comportamento e atitude… denunciando, para evitar que esses casos fiquem camuflados”, apelou.

O Dia Internacional do Enfermeiro foi criado pelo Conselho Internacional de Enfermeiros, que todos os anos distribui um kit informativo deste dia e elege um tema para a celebração.

A data foi escolhida por assinalar o aniversário do nascimento de Florence Nightingale, que é considerada a fundadora da enfermagem moderna.

Para comemorar a data, decorrem vários simpósios e conferências pelo país e pelo mundo com vista à análise de vários aspectos da profissão, assim como a identificação de novas perspectivas e desafios que se impõem diariamente aos enfermeiros.

Da mesma forma, esta classe de profissionais tenta apelar a um estilo de vida saudável junto da população.

SC/JMV

Inforpress/Fim

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