Ilha do Sal: Atenção aos jovens a nível da saúde reprodutiva deve ser dada nas escolas ou centros de juventude – delegado

Espargos, 09 Abr (Inforpress) – O delegado de Saúde, no Sal, defende que atenção à adolescência a nível dos cuidados da saúde reprodutiva deve ser dada nas escolas ou centros da juventude, já que as estruturas sanitárias não são “amigáveis” para a camada.

José Rui Moreira fez essas considerações à margem da feira da saúde realizada este fim-de-semana, na localidade de Pedra de Lume, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Saúde, assinalado a 07 de Abril, quando confrontado com a problemática da gravidez precoce, especialmente na ilha.

Não obstante as inúmeras informações disponíveis, sob várias formas, tem-se verificado, na ilha do Sal, concretamente, casos de gravidez na adolescência, mas perante esse facto, o delegado de saúde local, afiançou que embora não pareça, o número de ocorrências vem diminuindo.

Neste particular, defende, entretanto, a realização de um estudo sobre a gravidez na adolescência, para se saber da motivação, isto é, o que leva as miúdas a engravidarem tão cedo.

“E em função disso dar combate. Com relação à gravidez precoce, as motivações variam de país para país. Algumas querem ter a certeza de que podem engravidar, outras para mostrar que são capazes (…). Em Cabo Verde, se calhar são todas essas coisas juntas, associadas à falta de informação”, exemplificou.

“É sempre bom ter informação, mas uma informação ajustada às pessoas. Penso que um grande erro que se comete, é disponibilizar a atenção dos cuidados de saúde aos adolescentes nos centros de saúde. Na minha opinião essa atenção deve ser feita, nas escolas, nos centros da juventude, ou nos lugares por eles mais frequentados”, indicou.

Isto porque, segundo esclareceu o responsável, estudos apontam que os adolescentes consideram que as estruturas de saúde não são amigáveis para a camada juvenil.

“Por uma razão muito simples. As estruturas de saúde ficam dentro da comunidade, lá encontram outras pessoas, adultos, idosos, conhecidos, vizinhos… e têm receio de serem julgados ou ter que dar satisfação ao que os leva”, explicou.

E, é fazendo essa leitura que José Rui Moreira entende que esses cuidados aos jovens e adolescentes devem ser feitos “longe” dos centros de Saúde, para que não fiquem, disse, retraídos, acabrunhados, porém à vontade para tratarem do seu assunto.

Uma outra questão, refere, é as pessoas, conforme disse, “diabolizarem” o sexo ou a sexualidade, isso a nível mundial.

“Sexo é diabolizado e sexualidade é tabu. As pessoas pensam que falar de sexualidade é falar de sexo. São duas coisas diferentes… e que falar de sexo é incentivar a ter relações sexuais. Nada mais falso. Informação é diferente de incentivo”, observou.

“Portanto, tudo isso tem que ser ponderado e ver qual a forma ajustada de falar com os adolescentes sobre o assunto. Mas, os pais também devem ser mais e melhor esclarecidos, conversar e ouvir os seus filhos sem tabu”.

O médico concluiu, advertindo, que as pessoas têm que ter a consciência que deverão cuidar da sua saúde… prevenindo-se.

SC/CP

Inforpress/Fim

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