Greve Professores: Classe docente ameaça com greve por período indeterminado até concessões do Governo

Cidade da Praia, 22 Nov (Inforpress) – Os professores deram início hoje a uma greve de dois dias em todo o país, ameaçando com possíveis greves por “tempo indeterminado” até que o Governo valorize a classe e ceda nas negociações.

Os sindicatos dos professores reuniram-se com os ministros da Educação, o vice-primeiro-ministro e a ministra da Administração Pública para a busca de consenso e evitar mais esta greve.

No entanto, durante as negociações com o Governo ficou por consensualizar a questão da tabela para nova grelha salarial, cuja proposta dos sindicatos é de 107.471 escudos e o aumento salarial de acordo com a inflação para todos os professores.

Em declarações à imprensa durante a greve na cidade da Praia, a presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof), Lígia Herbert, destacou que o foco principal neste momento é a equiparação salarial.

A mesma frisou que os professores fazem parte de quadros privativos especiais, como outros sectores da Administração Pública, os quais recebem salários “extremamente superiores” aos da classe docente.

“O professor licenciado tem um salário de 9 A 78.678 escudos, enquanto que quem começa de base já na disfunção da administração pública, o mínimo que eles têm é 107. 471 escudos, então o que nós solicitamos é exatamente equiparar o nosso salário ao salário mínimo da Administração Pública e dos quadros privativos que é 107.000 escudos”, assinalou Lígia Herbert.

“Há técnicos com 109.000 escudos, outros com 120.000, 125.000 e por aí fora, nós pedimos o mais baixo que se equipare o salário do professor aos quadros privativos da administração pública, porque também somos administração pública e somos filhos de Deus”, completou.

A presidente do Sindprof assegurou que a luta não cessará até que o Governo atenda às reivindicações da classe, destacando que os professores já fizeram concessões significativas. Portanto, até lá, garantiu, “greve por tempo indeterminado”.

Em Santiago Norte, sobretudo em Santa Catarina, os professores das três escolas secundária – Liceu Amílcar Cabral (LAC), Escola Secundária Armando Napoleão Fernandes (ESANF) e Escola Técnica Grão-Duque Henri (ETGDH) – também aderiram à greve nacional de dois dias convocada pelos sindicatos que representam a classe.

No LAC estima-se uma adesão acima dos 90 por cento (%) e nas demais escolas 100 %, e a nível de Santiago Norte acima dos 90 %.

Os professores Janilson Pereira e Vladir Silva, que lecionam Matemática e Inglês, na ETGDH e ESANF, falam em “desrespeito e falta de valorização” da classe por parte da tutela, tomando como prova dessa “desmotivação” o pedido de licença sem vencimento de mais de 600 docentes.

Nesse sentido, segundo eles, os professores de Santa Catarina, Santiago Norte e de Cabo Verde, se vestiram hoje de preto para darem “um basta” ao Ministério da Educação.

As reivindicações da classe são inúmeras, mas, conforme disseram à Inforpress, a razão central dessa greve de dois dias é a actualização da grelha salarial, ou seja, querem equiparação do salário com as outras classes consideradas especiais.

A greve dos professores arrancou hoje em todo território nacional e deverá continuar também na quinta-feira, 23, após negociações infrutíferas dos sindicatos representativos da classe e o Governo.

HR (TC/FM)//AA

Inforpress/Fim

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