Governo defende criação de mecanismos eficazes para avaliar o grau de segurança do uso clínico dos medicamentos

Cidade da Praia, 30 Set (Inforpress) – O ministro da Saúde afirmou hoje que Cabo Verde tem dado passos “importantes” em matéria de farmacovigilância, defendendo a necessidade de criação de mecanismos eficazes que permitam avaliar e controlar o grau de segurança do uso clínico dos medicamentos.

Arlindo do Rosário fez estas declarações ao presidir à cerimónia de tomada de posse dos Membros da Comissão Nacional de Farmacovigilância (CNFV), realizada esta segunda-feira na cidade da Praia.

Para o responsável pela pasta da Saúde, um sistema de farmacovigilância bem organizado e com qualidade na sua intervenção “é indiscutivelmente um instrumento importante” para a redução das taxas de morbidade e mortalidade associada ao uso de medicamentos através da detenção precoce de problemas de segurança desses produtos para os pacientes.

A nível do arquipélago, destacou os ganhos que Cabo Verde tem conquistado em matéria de farmacovigilância, lembrando que, desde 2012 tornou-se o 110º membro do programa da OMS para a Monitorização da segurança dos medicamentos constituindo-se no marco maior para o verdadeiro estabelecimento de um sistema de farmacovigilância.

“A farmacovigilância é hoje uma realidade em Cabo Verde, mas apesar da sua grande importância e da existência de legislações vigentes, convenhamos que é preciso que continuemos a trabalhar para a incorporação da farmacovigilância na rotina da vigilância sanitária, dos profissionais de saúde”, afirmou, apontando a necessidade de fazer com que essa incorporação, se torne “um instrumento efectivo para a promoção e protecção da saúde pública”.

Entretanto, defendeu que para que a farmacovigilância funcione é preciso haver um maior envolvimento e integração entre o paciente, médico, farmacêutico, profissionais da saúde, indústrias farmacêuticas, hospitais para notificar e reportar a Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) os efeitos adversos e problemas relacionados ao uso dos medicamentos.

E para que os objectivos sejam alcançados, no entender do governante, é necessário o país desenvolver uma cultura de notificação espontânea das suspeitas das reacções adversas, considerando a notificação espontânea por parte dos profissionais de saúde, de “extrema importância” para subsidiar a formação de políticas de protecção à saúde.

“Precisamos, por outro lado, criar mecanismos eficazes que permitam avaliar e controlar o grau de segurança do uso clínico dos medicamentos, visando prevenir ou reduzir os efeitos nocivos sobre o paciente e reforçar a rede nacional de farmacovigilância envolvendo não sós as estruturas de saúde a nível nacional, mas a sociedade”, asseverou, destacando o papel e o contributo dos membros recém-empossados da comissão na salvaguarda da segurança de medicamentos dos cidadãos.

Arlindo do Rosário concluiu a sua intervenção realçando a necessidade de haver maior investimento em educação continuada, onde, sustentou, o treinamento de profissionais na área da saúde, deve estar voltado para que as reacções sejam identificadas e para que os relatos sejam preenchidos e enviados como informações completas e de qualidade.

Fazem parte da Comissão Nacional de Farmacovigilância (CNFV), representantes da ERIS, Ministério da Saúde, Ordem dos Médicos, Ordem dos Farmacêuticos, hospitais e gestão dos riscos.

A CNFV é o órgão consultivo do SNF em matéria de farmacovigilância, com funções de assessoria e emissão de pareceres técnico-científicos sobre questões de segurança, eficácia e qualidade.

A primeira constituição da CNFV foi formalizada em Outubro de 2017, e, desde a sua operacionalização, já efectuou três reuniões ordinárias e uma extraordinária, tendo sido discutidos e elaborados vários documentos de suporte ao funcionamento do Centro Nacional de Farmacovigilância.

CM/ZS

Inforpress/Fim

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