Governante português diz que acordo para a conversão de dívida em investimento climático é inovador e gera curiosidade

Cidade da Praia, 18 Jan (Inforpress) – O acordo para a conversão de dívida em investimento climático entre Portugal e Cabo Verde é inovador e está a gerar muita curiosidade a outros países, assegurou o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Francisco André falava à imprensa à saída de um encontro com a homóloga cabo-verdiana, Miryan Vieira, no âmbito de uma visita de dois dias a Cabo Verde, que tem por objectivo “tomar pulso” àquilo que é a agenda político-diplomática e de cooperação entre os dois países.

“Esta visita serve para ver em que estado estão os projectos, como está a decorrer a execução de programas estratégicos de cooperação, fazer essa avaliação e saber por onde estamos a ir e o que podemos fazer para melhorar”, especificou, sublinhando “a relação de excelência” entre os dois países ao longo dos anos.

Conforme realçou, na última cimeira Portugal e Cabo Verde passaram mesmo daquilo que já era uma relação de excelência para uma parceria estratégica, com a assinatura de acordo para a conversão de dívida de Cabo Verde em investimento climático, além de sublinhar os resultados que têm sido atingidos pelo arquipélago, designadamente a certificação pela ONU como país livre de paludismo.

“Este é um acordo inovador que está a gerar muita curiosidade por outros países, é um acordo que fez o seu caminho de forma muito rápida entre os nossos dois países, e está já na fase de implementação. Assinou-se a nova adenda à margem da última COP-28 para estabelecer dois objectivos fundamentais, um dos quais terei a oportunidade de visitar, que é o caso da central solar do Palmarejo”, enfatizou Francisco André.

Para o secretário de Negócios Estrangeiros e Comunidades de Portugal, trata-se de um “acordo fundamental” para o desenvolvimento de Cabo Verde e que coloca esta parceria especial estratégica entre Cabo Verde e Portugal “bem no centro das atenções” daquilo que é a comunidade internacional.

“É um acordo que deve encorajar outros países a contribuírem para esse fundo, para fazerem aquilo que Portugal está a fazer, e também Cabo Verde e Portugal devem encorajar outros países a fazerem o mesmo também naquilo que são as suas metas de desenvolvimento”, reforçou.

Aproveitou para agradecer o posicionamento e todo o apoio da parte de Cabo Verde no âmbito da candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU, afirmando que Cabo Verde não se limitou a apoiar Portugal nesta candidatura como tem participado activamente nos esforços diplomáticos para o sucesso da mesma.

Por seu lado, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Miryan Vieira, salientou a “boa cooperação” entre os dois países que, segundo afirmou, é caracterizada pela sua diversidade.

Durante este ano, a mesma fonte perspectivou acções “bastante consolidadas” para o reforço dessa cooperação, tendo avançado que em princípio acontecerá uma cimeira entre Cabo Verde e Portugal, para, sobretudo, aprofundar essa relação de cooperação e de amizade.

O acordo para a conversão de dívida de Cabo Verde em investimento climático foi assinado no âmbito da 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP-28), em Dubai, em que Portugal comprometeu-se a participar com um montante de cerca de 140 milhões de euros que serão convertidos de 2022 até 2046 para o fundo climático.

Na primeira fase, com o protocolo que assinado à margem da COP 28, o montante segundo esta responsável, ascende a 14 milhões de euros, que serão canalizados para dois projetos na “base da transparência”.

ET/AA

Inforpress/Fim

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